Fanfics - Justin Bieber

sábado, 15 de abril de 2017

The Apprentice - Twenty-first chapter

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- Com certeza ela deve sofrer de algum transtorno para agir dessa forma. - disse irrelevante.
- Kate, é sério. Sua mãe é bipolar. - ele disse me olhando sem expressão alguma.
- Você está me dizendo que ela é bipolar de verdade? - perguntei surpresa.
- Sim, é isso.
- E porquê nunca me contaram? - perguntei já ficando com raiva. - Não foram justos comigo.
- Esse assunto sempre foi delicado para a sua mãe. Poucas pessoas da nossa família sabem, e as poucas que sabem nós pedimos segredo. - ele disse.
- Você pode começar do começo, por favor… - disse impaciente.
- Quando eu conheci a sua mãe ela era uma pessoa normal, como todas as outras. Quer dizer, às vezes seu humor variava muito, porém era algo dela já. Depois que nós começamos trabalhar, ficou pior. Nós procuramos ajuda médica e descobrimos que os transtornos de bipolaridade se agravaram com o estresse do trabalho. Como todos já perceberam, sua mãe é voltada muito para o trabalho e quase nada para a família.
- Isso é nítido…
- Durou algum tempo para ela aceitar que não estava bem, foi na época que ela insistiu que te colocássemos no convento. Eu encarei como uma boa opção, pois você não teria que ver os ataques de loucura da sua mãe.
- Me colocar a par de tudo seria uma boa opção. - o cortei mais uma vez.
- Você era nova demais, Kate. De alguma forma nós estávamos te protegendo. - ele disse e revirei os olhos. Eu nunca vou acreditar nessa hipótese. - Enquanto você estava no convento, sua mãe começou o tratamento. Ela começou a tomar remédio controlado, ter consultas com psicólogos, até ficar bem de novo. Foi quando resolvemos tirar você do convento, porém como você pode ver, de uns tempos para cá, voltou tudo de novo. Ela anda uma pilha de nervos tanto em casa como no trabalho.
- E porquê ela não volta com o tratamento? - perguntei.
- Porque ela insiste em dizer que está bem e não quer ser diagnosticada com bipolaridade.
- Você precisa levá-la para iniciar o tratamento de novo. - disse.
- Do que vai adiantar o tratamento se o trabalho é a causa?
- Fala pra ela se afastar.
- Você conhece a sua mãe, Kate. Ela nunca iria fazer isso.
- Bom, na verdade eu acho que não conheço. Você tem que conversar com ela.
- Porque você não conversa junto comigo? - ele me perguntou.
- Eu não estou bem para ter qualquer tipo de conversa com ela. Talvez eu esteja sendo egoísta, mesmo sabendo que não é totalmente culpa dela, mas eu estou magoada. Não quero vê-la. - disse sincera.
- Minha filha, ela vai se sentir pior se você der as costas para ela.
- Eu não estou dando as costas, aliás, estou até pedindo para você levá-la ao médico. Só não quero dar a mão agora, me desculpe.
- Tudo bem, eu entendo você. - ele respirou fundo. - Já está tudo esclarecido?
- Acho que sim, vocês escondem mais alguma coisa de mim?
- Não guarde mágoa, Kate. Você nunca foi assim. - ele disse acariciando minhas mãos.
- Tudo bem. - respondi.
- Bom, eu queria falar outra coisa para você.
- O quê? - perguntei curiosa.
- Ao meu ver, depois de tudo o que aconteceu com você, acho melhor você ter algumas consultas com uma psicóloga. - ele disparou e fiquei o olhando.
- Como assim? Eu estou bem! - rebati.
- Kate, você passou por uma tentativa de estupro. Tem certeza que não ficou nenhuma sequela depois disso? Está na sua cara que você ainda está amedrontada.
- Pai, eu não preciso contar o que aconteceu comigo para uma pessoa desconhecida.  Eu não vou me sentir bem… E para mim, essa história está morta e enterrada.
- Você tem certeza que você a enterrou mesmo? - ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Tenho. - disse incerta.
- Eu não senti confiança.
- Pai, eu estou bem. - confirmei.
- Se você diz… - ele disse levantando-se. - Eu vou ter que ir para casa agora, ver como a sua mãe está.
- Tá bom. Converse com ela. - disse.
- Farei isso, alguém nessa família tem que me ouvir né. - ele disse e fiquei calada.
O acompanhei até a porta.
- O erro da sua mãe foi ter aceitado a ajuda tarde demais. Hoje em dia você vê o quanto perturbada ela está. Não deixe isso acontecer com você também. - meu pai disse e beijou minha testa. - Boa noite, eu amo você.
- Boa noite, pai. Também te amo. - sorri fraco.
Abri a porta e meu pai passou pela mesma. Acenei e fechei a porta. Caminhei até o sofá, me sentei e fiquei encarando o nada. Minha mãe é que está precisando de ajuda, eu estou bem. Aquele episódio horrível já passou. O Paul não vai me fazer mal algum, eu estou bem.
- Está tudo bem? - Justin apareceu do meu lado, me assustando.
Estava concentrada demais encarando o nada e nem o vi chegar.
- Estou. - respondi o olhando.
- Então, a conversa foi tranquila? - ele perguntou e assenti com a cabeça. - Hum… - entortou os lábios.
- Crianças, vamos jantar! - Pattie nos chamou.
- Vamos! - Justin disse estendendo sua mão para mim.
- Comi muita besteira à tarde, não estou com fome. - respondi.
- Kate, eu vou ter que enfiar comida à força em você? - ele perguntou um pouco irritado.
- Desculpa, eu só não estou com fome. - disse sincera.
Justin suspirou e começou a andar em direção à cozinha.
- Vem pelo menos tomar um suco. - ouvi ele dizer.
Me levantei e fui para a cozinha, eles já estavam sentados se servindo.
- Tem certeza que não quer jantar? - Jeremy me perguntou.
- Tenho, vou tomar um suco. - disse olhando para o Justin, que estava mais ocupado em comer.
- O de laranja está uma delícia. - Pattie disse e pegou um copo, me servindo.
Tomei só o suco mesmo e fiquei fazendo companhia a eles enquanto jantavam.
(...)
- A conversa com seu pai foi tão séria assim? - Justin me perguntou após chegarmos ao quarto.
- Porque? - perguntei me sentando na beirada da cama.
- Estou te achando tensa. - ele respondeu se jogando na cama.
- Descobri que minha mãe é bipolar, de verdade. - disse e Justin me olhou.
- Que ela não batia bem da cabeça já sabíamos…
- É, meu pai confirmou. E ela não quer se tratar.
- Isso é complicado. Muitas pessoas precisam de ajuda mais não querem ser ajudadas… - ele disse me olhando e o encarei desconfiada.
- Você sabia… - disse.
- De quê?
- Meu pai veio com uma conversa de que preciso ir ao psicólogo e você sabia! - disse após ter juntado todas as peças do quebra-cabeça na minha mente.
- Sabia e concordo com ele. - ele respondeu e o olhei incrédula.
- Até você com isso? - disse irritada. - Porque vocês não acreditam que eu estou bem?
- Por fora está, por dentro não.
- O que aconteceu, já passou. Eu não quero reviver tudo de novo indo para uma psicóloga.
- Ela vai te ajudar a lidar com isso, Kate! Você mesma não está conseguindo.
- Eu não preciso disso. - disse me levantando da cama. - Vou tomar banho.
- Você acha que fugindo do assunto vá resolver o problema, tudo bem… - Justin disse e ignorei entrando no banheiro.
Quantas vezes eu tenho que dizer que estou bem para acreditarem em mim? Tranquei a porta do banheiro e me despi, sem delongas liguei o registro do chuveiro e tomei um banho demorado. Eu tinha que ter a certeza que estava limpa. Acabei esquecendo de levar minha muda de roupa para o banheiro, então saí enrolada no roupão. Justin estava concentrado demais mexendo em seu celular, fui rapidinho para o closet e me troquei.
Me deitei na cama e fiquei encarando o teto.
- Vai ficar chateada? - Justin perguntou.
- Não estou chateada. - respondi sem olhá-lo.
- Nós só queremos o seu bem.
- Ok, eu quero dormir. Vê se as janelas estão fechadas, por favor. - pedi.
- Elas nem foram abertas, Kate. - ele respondeu. - Vem cá.
Me deitei em seu peito e Justin começou a fazer carinhos em meus cabelos, não demorou muito para o sono me vencer.
Eu estava andando pelas ruas com um pressentimento que alguém estava me acompanhando. Porém, eu olhava para trás e não via absolutamente nada e ninguém. Tudo estava escuro e como se não bastasse, uma forte chuva começou a cair. E com isso, veio o frio. Me abracei e apressei os passos, só queria encontrar alguém conhecido e mais nada.
Eu estava tão sozinha.
- Kate! - uma voz sussurrou meu nome.
Olhei para trás e para os lados, não vi nada novamente.
- Quem é? - perguntei com os lábios trêmulos devido ao frio que fazia.
Não obtive resposta.
- Achou que não iríamos mais nos encontrar? - a voz amarga soou novamente, seguida de uma risada irônica.
Sem hesitar, comecei a correr sem destino algum. Só queria ficar longe daquela voz que me dava medo. Corri tanto que minhas pernas chegavam a doer e quase não tinha mais ar em meus pulmões. Cansada, parei de correr e olhei ao meu redor. Tudo escuro e a chuva não parava de cair.
- Buh! - a voz soou novamente ao pé do meu ouvido.
Me virei lentamente e Paul sorria maliciosamente para mim.
- Sentiu minha falta? - ele perguntou sem tirar o sorriso dos lábios.
Minha respiração ficou descompassada e o pânico tomou conta do meu ser.
- Não… Por favor, não. - pedi iniciando um choro.
- Engole esse choro, eu nem fiz nada com você. - ele disse rude. - Ainda. - completou com uma risada sarcástica.
A mesma frase daquela noite, ele havia acabado de proferir novamente e meu ser estremeceu. Eu queria correr porém meu corpo não me obedecia. Eu estava imóvel e ele se aproximava mais de mim. Eu só conseguia chorar e mais nada.
- Eu sou o seu pior pesadelo. - ele disse me rodeando com seus braços.
- ME SOLTA! - gritei.
Me debati tentando me soltar de seus braços, enquanto chorava e pedia para que ele não fizesse nada comigo.
- Kate! Calma, sou eu. - reconheci a voz de Justin, abri os olhos e vi que não era Paul ali.
- Justin! - o abracei com todas as minhas forças e desabei a chorar.
- Foi só um pesadelo… - ele dizia tentando me acalmar.
- Não, ele veio atrás de mim de novo.
- Não, ele nunca esteve aqui. Está tudo bem.
Só consegui chorar e mais nada. A porta foi aberta, era Pattie e Jeremy.
- Que gritos são esses? - Pattie perguntou.
- A Kate teve outro pesadelo. - Justin respondeu.
- Eu pensei que a casa estava sendo assaltada. - Jeremy disse.
- Vou buscar um copo com açúcar pra ela. - Pattie disse.
- Ele vai vim atrás de mim… - sussurrei entre soluços.
- Kate, ele está preso e não irá fazer mal algum à você. - Jeremy respondeu.
Eu queria acreditar, mas eu sabia que uma hora ou outra Paul viria atrás de mim.
Justin Bieber’s POV
Acordei com a Kate tendo outro pesadelo. Ela não conseguia se acalmar, até a minha mãe dar água com açúcar para ela. Quando ela dormiu, o dia já estava amanhecendo e foi quando consegui dormir também. Acordei com minha mãe perguntando se eu não ia para a faculdade. Na verdade eu sentia vontade de dormir pelo resto do dia. Preferi não acordar a Kate e fui tomar um banho, me arrumei e fui almoçar.
- Mãe, fica de olho na Kate. - pedi arrumando a mochila nas minhas costas.
- Ficarei, boa aula querido. - ela disse.
- Obrigado. - saí de casa e entrei no meu carro.
Poucos minutos já estava passando pelos portões da Universidade. Estacionei meu carro, mal coloquei os pés fora e Caitlin já estava me bombardeando de perguntas.
- Calma criatura. Fala devagar. - disse pegando minha mochila e travando o carro.
- Cadê a Kate? - ela perguntou.
- Em casa, dormindo. - respondi.
- Porque ela não veio com você?
- Caitlin, a Kate não está bem. Ontem ela teve outro pesadelo com o filho da puta do Paul. Eu e o pai dela queremos que ela aceite ir à uma psicóloga, porém ela não quer.
- Vocês acham que isso é mesmo necessário?
- Claro que é. Você precisa ver, a Kate está com medo até da própria sombra. Você poderia ir conversar com ela, talvez ela aceite ir.
- Eu não sabia que ela estava assim… Que dó da Kate. - Caitlin lamentou.
- Eu nem sei como ela ainda deixa eu chegar perto dela… - disse e Caitlin entortou os lábios.
Encontramos com os garotos e expliquei a situação de novo para eles. A ajuda de todos é essencial. Não vou deixar que a Kate se afunde, sendo que nós podemos ajudá-la.
Dei graças à Deus quando a aula terminou. Confesso que nem prestei muito atenção nas aulas de hoje, estava preocupado com a Kate. Levei Caitlin comigo, talvez ela convença a Kate a ir à uma psicóloga. Chegamos em casa e encontrei minha mãe assistindo TV.
- Oi mãe. - disse. - Cadê a Kate?
- No quarto. - ela respondeu. - Oi Caitlin.
- Oi tia! - Caitlin respondeu simpática.
- Vamos subir. - disse.
Chegando ao meu quarto, encontramos Kate toda enrolada assistindo TV.
- Hey baby. - disse e ela nos olhou.
- Porque me deixou sozinha? - ela disse levantando-se e vindo me abraçar, como se estivesse com anos que não nos víamos.
- Precisei ir à faculdade. - respondi beijando sua testa. - Você almoçou? - perguntei e ela assentiu com a cabeça.
- Será que dá para largar esse loiro e vim me abraçar também? - Caitlin rebateu.
- Oi prima. - ela disse indo abraçar a Caitlin.
- Fiquem aí conversando, vou tomar banho. - disse e pisquei para a Caitlin.
Era agora que ela tinha que entrar em ação. Fui para o banheiro e fiquei fazendo hora lá dentro. Lavei o cabelo e fui ver se tinha algum pelo no meu rosto para tirar, já que Deus não me presenteou com uma barba de vergonha. Depois de quase meia hora, saí enrolado em uma toalha e não tinha mais ninguém no quarto, além de mim. Ué, para onde as duas foram? Fui para o closet e coloquei uma roupa, arrumei meu cabelo e quando saí do closet, Kate estava entrando no quarto.
- Caitlin já foi? - perguntei.
- Nesse instante. - ela disse sentando-se na cama. - Você falou para a Caitlin sobre a psicóloga né?
- Falei. - respondi dando de ombros. - Ela também se preocupa com você.
- Eu sei. - ela respondeu.
- Baby… - disse baixinho me aproximando dela.
Kate levantou-se e me deixou no vácuo.
- Porque saiu? Eu ia te beijar.
- Desculpa, foi reflexo. - ela disse acanhada.
- Ok. - respondi e me joguei na cama.
- Não fica chateado comigo, foi sem querer.
- Está tudo bem, Kate. - disse por fim.
Uma semana depois…
Kate teve pesadelo durante toda a semana. Dormi mal pra caralho. Paul mesmo preso, era presente em casa para a Kate. Ela estava com tanto medo que via Paul em todos os lugares. Isso estava me irritando e ela não deixava eu chegar sequer, perto dela. A nossa ida para a cabana no lago foi por água abaixo, ela não quis sair de casa.
Kate já faltou uma semana de aula e iria faltar mais uma, porém era por uma boa causa. Ela iria para a psicóloga querendo ou não.
- Kate! - disse tentando acordá-la.
Eu já estava acordado à tempos, desde a hora que ela teve pesadelo, de novo.
- Hum… - ela resmungou e aos poucos foi abrindo os olhos.
Estavam bem inchados e vermelhos, devido ao choro intenso da madrugada.
- Vamos à um lugar. - disse.
- Onde? - ela perguntou coçando os olhos.
- Toma um banho e eu te conto. - respondi.
Ela não questionou e fez o que eu pedi. Esperei ela se arrumar e descemos, fiz ela comer alguma coisa.
- Onde vamos? - ela perguntou.
Segurei em sua mão e saímos de casa. O sol incomodou seus olhos e ela os fechou rapidamente. Kate estava até pálida, faziam dias que ela não colocava nem os pés fora.
- Logo irá saber. - respondi.
Entramos no meu carro e o liguei. Dirigi até a casa de Kate e ela me olhou.
- Porque estamos aqui? Não quero ver minha mãe. - ela disse atordoada.
- Calma! - disse e buzinei.
Segundos depois, Erick saiu da casa e entrou no carro.
- Oi filha.
- Oi pai. - ela respondeu. - Onde vamos?
- Vamos te levar à uma psicóloga. - ele respondeu.
- Eu não quero ir. - ela rebateu.
- Kate, no momento você não tem escolhas. Não vê que a cada dia que passa você fica pior? Você vê o Paul em todos os lugares, mesmo ele estando preso. - respondi e ela abaixou a cabeça.
Em seguida, ouvimos seu choro baixo.
- Vai ficar tudo bem, filha. - Erick disse.

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Continua?
Obrigada por todos os comentários!

sábado, 1 de abril de 2017

The Apprentice - Twentieth chapter

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Kate Beadles’s POV

Quando acordei, Justin ainda dormia com seu braço em volta de mim. Mesmo acordada, fiquei quietinha apenas pensando no que tinha acontecido comigo na noite anterior. Nunca passou pela minha cabeça que poderia acontecer uma monstruosidade desse nível comigo. Paul me parecia  um rapaz legal, atencioso, porém não há nada mais certo do que o ditado de que as aparências enganam. 

Todo momento que eu lembrava das coisas nojentas e abusivas que ele me falava meu coração apertava. Dos seus toques agressivos em meu corpo, me fazia sentir nojo de mim mesma. Ele estava fora de si. Eu não tinha noção do quanto as pessoas poderiam ser insanas até chegar ao ponto de querer forçar uma pessoa a algo. 

Nossa cidade é pequena, o grau de criminalidade é baixo, se aconteceram estupros e tentativas, isso foi varrido para debaixo do tapete. Não tínhamos conhecimento sobre isso, pelo menos eu não. Agora ficava martelando na minha cabeça, se eu poderia sair de casa e poder andar sem medo. Se eu não encontraria Paul na rua de novo, e ele me arrastasse para aquele beco imundo. Minha mente estava perturbada, meus pensamentos confusos e meu medo só aumentava. Eu não queria pensar mais nisso, porém era algo involuntário e minhas lágrimas também.

Comecei a chorar silenciosamente no peito de Justin, pelo menos eu tentei ser silenciosa pois logo senti ele se mexer. Justin despertou e notou que eu estava chorando, sem falar nada ele começou a fazer carinho em meu braço e sussurrar que tudo ia ficar bem. Mas para mim, eu sabia que não.

Justin ouviu meu choro, calado. Mas ele não precisava falar nada para me reconfortar, só o fato dele estar comigo me deixava amparada. Alguns longos minutos depois, Justin levantou para ir ao banheiro.

- Vamos tomar café. - ele disse após sair do banheiro.

- Eu não estou com fome. - respondi. Na realidade, não estava mesmo.

- Você não pode ficar sem se alimentar. Vamos! - ele pediu novamente e suspirei.

- Tudo bem. - me levantei da cama com muito custo. - Onde estão minhas roupas?

- Vai tomar banho? - ele perguntou e assenti com a cabeça. - Quer que eu vá com você? - perguntou sem malícia.

- Não. - respondi rápido e ele me olhou estranho.

Eu não estava me sentindo bem comigo mesma, estava com repulsa das partes que Paul tocou em mim. Não queria que Justin me visse nua ou me tocasse, no momento não dava. 

- Aqui estão. - ele respondeu me entregando a maleta que meu pai havia me preparado ontem à noite.

Peguei e me direcionei até o banheiro. Tranquei a porta e comecei a me despir de costas para o espelho. Não queria ver meu corpo machucado, com manchas e começar a chorar de novo. Olhei para meu pulso e conseguia ver perfeitamente as marcas dos dedos do Paul. Me despi rapidamente e liguei o registro do chuveiro, peguei uma ducha com sabonete e passei com força em meus pulsos. Eu sabia que assim não iria sair, porém me deixaria mais limpa. Não ia ter um resquício se quer daquele nojento em mim. 

Passei a ducha com bastante sabonete por todo o meu corpo, após tomar o banho, me vesti no banheiro mesmo e escovei os dentes. Destranquei a porta do banheiro e sai, Justin estava mexendo no celular.

- Seu pai acabou de ligar. - ele disse. - Quer que eu retorne para ele?

- Depois eu faço isso. - respondi deixando a maleta em cima de sua cama.

- Você está toda vermelha. - ele disse me analisando.

- Acho que esfreguei com um pouco de força. - sorri fraco.

- Eu não quero que você se sinta assim. - ele levantou-se e segurou em minhas mãos.

- Assim como? - perguntei evitando contato visual.

- Que sinta nojo do seu corpo por causa daquele desgraçado. - ele disse com raiva.

- Ele me tocou, Justin… - sussurrei. - Ele me machucava, eu pedia por ajuda e ninguém me escutava. - senti meus olhos marejar ao lembrar. 

- Para de pensar nisso, Kate. - ele disse e me abraçou. - Você está se machucando ainda mais. 

Alguém bateu na porta, me dando um breve susto.

- Queridos, venham tomar café da manhã. - era a Pattie. 

- Estamos indo, mãe. - Justin respondeu. - Não pense mais nisso ok? Eu estou aqui com você, baby. - ele disse segurando em meu rosto, assenti com a cabeça e ele depositou um beijo em minha testa.

Justin me abraçou de lado e saímos do seu quarto. Chegamos à cozinha,  Pattie estava colocado as coisas na mesa e Jeremy estava sentado lendo um jornal. 

- Bom dia. - Justin disse.

- Bom dia! - Jeremy respondeu nos olhando. - Como está, Kate?

- Acho que bem. - sorri fraco e Justin puxou uma cadeira para eu sentar. - Obrigada.

Me sentei e ele sentou-se ao meu lado.

- Ela vai ficar muito melhor quando provar do bolo de cenoura com cobertura de chocolate que eu fiz. - Pattie disse.

- Tenho certeza que ela está faminta. - Justin respondeu pegando em minha mão que estava em cima da mesa e alisando.

Pattie colocou o bolo em cima da mesa e confesso que estava com um cheiro maravilhoso, imagine o sabor. 

- Podem se servir. - ela disse sentando-se ao lado de Jeremy.

Como eu nem me mexi, Justin me olhou com a testa franzida e começou a me servir. Ele cortou um pedaço de bolo e colocou leite para mim.

- Já pode comer. - ele disse.

Peguei no garfo sem vontade e peguei um pedaço do bolo. Como eu imaginei, estava bem gostoso. Só um bolo delicioso assim para abrir meu apetite. Após tomarmos nosso café, resolvi retornar a ligação do meu pai pelo celular do Justin. O meu havia deixado em casa na noite anterior. No terceiro toque ele atendeu.

- Oi meu amor, você está bem? - ele perguntou.

- Oi pai. Estou. - respondi. - E você?

- Agora eu estou bem, estava preocupado com você. Como passou a noite?

- Estão cuidando bem de mim. Eu tive um pesadelo…

- Nem precisa continuar… Graças à Deus que tudo acabou bem. 

- E a mãe? - perguntei.

- Foi trabalhar. - ele respondeu. - Eu estou em casa, caso você queira voltar.

- Ela foi trabalhar? - perguntei incrédula. - Ela não soube do que aconteceu?

- Soube. 

- E como ela consegue agir normalmente sabendo o que a filha passou? Meu Deus! - disse inconformada.

- Filha, sua mãe está passando por uns problemas… - ele disse e o interrompi.

- E você acha que eu não estou? Ela não tem coração! - esbravejei.

- Quando você vier para casa nós vamos conversar com calma. 

- Eu não quero falar com ela. Se ela não tivesse me dito aquelas coisas horrorosas,  eu não teria saído de casa e nada disso teria acontecido. A culpa é toda dela. - disse rancorosa.

- Você tem que colocar a culpa em quem é realmente culpado disso. Daquele infeliz que está na cadeia.

- Não, a culpa é dela também. Eu nunca vou perdoá-la pelas coisas que ela fez e disse comigo. 

- Kate, eu sei que você não é assim. Você não guarda mágoa das pessoas, você vai entender depois o que está acontecendo.

- Que seja, mas no momento eu não quero olhar na cara dela. Me desculpe por isso, pai. 
Eu prefiro ficar aqui, a Pattie consegue transmitir o amor maternal que eu nunca tive. - disse triste.

- Vou respeitar sua decisão, sei que está passando por um momento difícil. Depois vou até aí para conversarmos.

- Tudo bem. - respondi.

- Se cuida. - ele disse.

Justin fez sinal de que queria falar com o meu pai.

- O Justin quer falar com você. 

- Passe para ele. 

- Tá bom. Beijos.

Entreguei o celular para o Justin, ele se distanciou de mim e entendi que ele não queria que eu ouvisse a conversa. Me deitei na cama e o observei falar no celular próximo à janela, olhando para o jardim. Minutos depois, ele encerrou a ligação.

- Quer que eu vá buscar mais roupas para você? - Justin perguntou deitando-se ao meu lado.

- Você não se incomoda se eu ficar aqui por uns dias? Eu não quero ver minha mãe. - respondi triste.

- Claro que não. Vou adorar você aqui, comigo. - ele sorriu. 

- Obrigada pelo o que você está fazendo por mim. - disse encarando seus olhos cor-de-mel.

- Você pode me agradecer de uma forma. - ele respondeu e o olhei confusa.

- O quê? - perguntei.

- Um amigo da minha mãe tem uma casa perto de um lago que eu íamos sempre quando eu era criança. Eu queria que você passasse o próximo final de semana comigo lá. - ele disse com uma cara de pidão.

- Você acha que é uma boa ideia? - perguntei receosa. 

- Não precisa ficar com medo, não vai acontecer nada com você. Eu prometo. - ele disse beijando as costas das minhas mãos.

- Você existe? - perguntei e ele riu fraco.

- Que pergunta é essa? 

- Quero saber se você é real mesmo. - toquei em seu rosto. - É, parece bem real. - Justin gargalhou.

O analisei seu sorriso enquanto sua risada gostosa invadia o quarto. Não conheço nenhum ser humano tão lindo tanto por dentro, como por fora como o Justin. Pedi a Deus mentalmente que o deixasse comigo por mais tempo, ele me faz feliz.

- Vê se sou real. - ele disse e saí dos meus devaneios quando senti seus lábios tocarem os meus.

Ele fez pressão contra meus lábios, de início me senti um pouco aflita. Sentir um peso sob meu corpo me fazia lembrar do Paul, porém esses pensamentos foram dispersos quando notei que aquele beijo era o que eu mais amava e almejava todos os dias. Suas mãos estavam acima da minha cabeça, levei as minhas até seu rosto e acariciei, sentindo alguns pelinhos que ousavam a sair da sua barba. Ele me beijava com tanta delicadeza e calmaria que por um momento tive a sensação de estar no céu. 

- Deixa eu ir lá na sua casa, depois podemos passar o dia todo namorando. - ele disse beijando minhas bochechas e ri.

- Trás meu celular, por favor. - pedi e ele assentiu com a cabeça.

Justin levantou-se da cama e pegou a chave do seu carro em cima do criado-mudo. Creio que ele não estava com tanta coragem de andar, já que minha cama é próximo daqui. 

- Já volto. - ele disse mandando um beijo.

- Tá bom. - respondi e ele saiu do quarto.

Fiquei encarando o teto e pensando no que fazer. Me levantei para pegar o controle da TV e tomei um susto quando a porta foi aberta de repente. Soltei um longo suspiro de alívio quando vi que era somente a Caitlin.

- Kateee! - ela disse correndo em minha direção.

- Cal… - nem terminei de falar e ela me abraçou, quase quebrando meus ossos.

- Meu Deus, você está bem? Eu fiquei tão preocupada com você. - ela disse desesperada me analisando.

- Fica calma, agora eu estou bem. - a tranquilizei. 

- Eu me sinto tão culpada, eu deveria ter falado o que o Paul já fez. Se você soubesse, teria se afastado dele. - ela disse chorosa.

- Para Caitlin, você não tem culpa de nada. Vamos esquecer isso, ok? - disse a abraçando.

- Eu amo você e eu não ia me perdoar se acontecesse o pior. - ela disse.

- Obrigada por se importar comigo, eu te amo também. Você é como uma irmã para mim. - disse.

- Não vai me fazer chorar ok? - ela disse separando o abraço e abanando os olhos. - Não vim aqui para chorar. - respirou fundo. - Ok, estou bem agora. - dei risada. - Cadê o tapado do Justin?

- Ele foi lá em casa pegar algumas roupas para mim. - respondi.

- Não quer voltar para sua casa?

- No momento não. Eu estou muito magoada com a minha mãe.

- O que ela fez? - ela perguntou curiosa.

Pelo visto ela não sabe um terço do que aconteceu de verdade. Contei tudo para a Caitlin e ela ficou boquiaberta.

- O que está acontecendo com a sua mãe para estar agindo assim com você? É crueldade demais, Kate. Ela é sua mãe. - ela disse indignada.

- Eu também não sei. Meu pai disse que ela está passando por uns problemas, mas acho que nada justifica o que ela vem fazendo comigo. Ela nem quis saber como eu estava e foi para o trabalho como se fosse um dia normal. - suspirei.

- Isso não está certo. - Caitlin disse. - E quais problemas são esses para ela ficar descontando em você?

- Gostaria de saber também. Depois meu pai vem aqui e nós vamos conversar.

- Ele aceitou na boa você ficar aqui?

- Sim, ele confia bastante no Justin.

- Até saber o que ele já fez com a filha dele né. - ela disse maliciosa e riu.

- Você não tem jeito mesmo. - disse rindo. 

Ficamos conversando bobagens até o Justin chegar. Acho que ele achou que eu ia morar aqui de vez, porque trouxe bastante coisa.

- Pra quê tudo isso? - perguntei.

- Ué, não sabia o que ia querer usar. - ele se defendeu.

- Tapado mesmo. - Caitlin riu.

- Ah, tá aí. - Justin disse com desdém.

- Que foi? Sentiu minha falta? - Caitlin perguntou.

- Claro, mais falta do que o ar que eu respiro. - Justin ironizou.

- Estava pensando aqui, podíamos assistir um filme à tarde. - Caitlin disse.

- Aqui não é cinema, minha filha. - Justin rebateu e se jogou no nosso meio.

- Não me perguntei nada. - Caitlin respondeu e ri. - Vou chamar os meninos e nós vamos 
assistir filme a tarde toda e acabou a história.

- Eu quero filme de comédia. - disse.

- Sempre né. - Justin disse.

- Eu vou avisar aos garotos, comprar os filmes e depois do almoço a gente vem. - Caitlin disse levantando-se.

- Já vai? - perguntei.

- Deixa ela ir. - Justin disse e Caitlin mandou um dedo do meio para ele.

- Vai cagar, Justin. - ela disse e ele riu. - Eu tenho que terminar um trabalho da faculdade para estar livre à tarde.

- Tá bom. - respondi.

- Até loguinho, beijos. - ela disse caminhando até a porta.

- Beijos. - disse.

- Caitlin brota do chão né. - ele disse após ela sair.

- Deixa ela. - respondi e ele riu.

- Comprei várias coisas gostosas para você comer. 

- Por isso que estava demorando. 

- Mais a gente só pode comer depois do almoço, porque se não, dona Pattie não é tolerante para quem deixa de comer a comida dela para comer besteiras. - ele disse e ri fraco.

- Tudo bem. 

- Vou procurar alguma coisa legal para assistir. - ele disse pegando o controle da TV.

- Trouxe meu celular? 

- Está aí dentro da mochila.

Peguei meu celular e estava sem carga, conectei no carregador e esperei ligar enquanto Justin ficava fuçando nos canais. Assim que ligou, apaguei o contato do Paul e exclui ele das minhas redes sociais. Não quero nem vê-lo de longe. 

- Adoro esse desenho! - Justin exclamou do meu lado.

Olhei para TV e estava passando Padrinhos Mágicos. 

- Sério? - perguntei.

- Sim. É divertido. - ele disse e sorri de lado.

(...)

Justin Bieber’s POV

Como Caitlin havia dito, depois do almoço a gangue dos meus amigos apareceram em casa para assistir filme. Era uma forma de levantar o astral da Kate e deixá-la bem. Mas apesar de estarmos na companhia dos nossos amigos, do filme ser de comédia como ela queria, eu a percebia distante, retraída, sorrindo só por fora. 

Sei que uma tentativa de estupro é um trauma que ela precisa superar. Estamos aqui para ajudá-la, porém somente isso não é o suficiente. Por isso, conversei com o Erick para agendar consultas com um psicólogo para a Kate. Ela vai precisar disso. Eu quero vê-la bem de novo. 

Passamos à tarde toda assistindo filme e comendo besteiras. O pessoal foi embora às sete 
da noite, subi com a Kate para o meu quarto.

- Vou tomar banho. - ela disse.

Nem me ofereci para ir e assenti com a cabeça. Ela não estava à vontade comigo. O celular da Kate começou a tocar, olhei no visor e era o Erick. 

- Kate? Seu pai está ligando. - disse alto para que ela pudesse ouvir.

- Atende! - ela respondeu de volta.

- Alô?

- Justin?

- Oi, Kate está no banho. 

- E vocês estão no mesmo quarto? - ele perguntou, cismado.

- Não. Ela deixou o celular na sala. - contei uma mentirinha do bem.

- Hum… Era só para avisá-la que às oito vou aí para conversarmos.

- Darei o recado. - disse.

- Obrigado, tchau.

- Tchau. - respondi.

Erick não precisa saber do nosso relacionamento agora. Vamos por partes, e nem cheguei na parte de pedir Kate em namoro, ainda não. Esperei Kate terminar o banho, ela já saiu vestida do banheiro. Achei estranho, apesar dela morrer de vergonha de mim quando está nua, ela ainda preferia se vestir fora do banheiro. 

- Seu pai pediu para avisar que vem às oito. - disse.

Ela assentiu com a cabeça e foi sentar na cama. Me direcionei até o banheiro e tomei um banho demorado. Saí do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, Kate estava deitada de lado, encarando o nada.

- Kate? - a chamei e ela não respondeu. - Kate?

- Hum… Oi.

- Você está bem? 

- Estou. - ela respondeu sem me olhar.

Como se eu não a conhecesse. Fui para o closet e coloquei uma roupa. Caminhei até a cama e Kate continuava na mesma posição fetal. Suspirei e liguei a TV. 

Ela precisa de espaço, Justin. Esse era eu tentando me convencer. 

Minha mãe veio nos avisar quando o Erick chegou. Descemos e o encontramos sentado no sofá com meu pai. 

Kate Beadles’s POV

Assim que vi meu pai, fui abraçá-lo. Logo depois, Justin e Jeremy nos deixaram à sós para conversar. 

- Pode me contar o que está acontecendo. - disse olhando para meu pai.

- É complicado, filha. Talvez você não entenda. - ele disse desconfortável.

- Eu nunca vou entender o que eu não sei.

- Eu prometi a sua mãe que você nunca saberia disso.

- O que você prometeu à ela? E porque eu não posso saber? 

- Porque talvez ela se sentisse menos mal.

- Está me falando tudo isso para que eu a perdoe? Nada justifica, pai.

- Eu concordo com você. Ela não deveria ter falado aquelas besteiras para você.

- E nem ter feito várias coisas comigo, incluindo me mandar para um convento. 

- Vai guardar essa mágoa para sempre?

- Não, mais no momento não consigo perdoá-la.

- Tudo bem. - ele suspirou. - Kate, a sua mãe sofre com transtorno bipolar.


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Continua?
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