domingo, 26 de março de 2017

Dangerous Life 3° - Capítulo 9 - Madison Fox




Com certeza a notícia da overdose do Justin tinha me deixado atordoada. Pisquei os olhos várias vezes.

- Mãe? – repeti olhando minuciosamente para aquela mulher, tentando enxergar mesmo minha mãe debaixo daquela sujeira.

A mulher ficou paralisada me olhando, como se eu fosse um ser de outro planeta. 

- Por Deus, fala alguma coisa! – disse aflita.

- Minha Mel? – ela disse num fio de voz. – Meu Deus! Minha filha. – deu alguns passos em minha direção, porém dei uns passos para trás.

- Porque não me procurou? – disse rancorosa. 

Eu não queria, porém minha reação foi involuntária. Eu estava magoada.

- Me deixe te abraçar. – ela disse chorando.

- Porque me deixou? – perguntei chorando ainda mais. – Você me abandonou com aquele monstro. 

- Não, eu não te abandonei filha. – ela disse em meio a lágrimas. – Onde está aquele infeliz? 

- Onde ele merece estar. – disse com ódio.

- O que aconteceu com você? Você não é mais aquela menina doce. – aproximou-se de mim e dessa vez eu deixei. 

A mulher por quem eu chorei por sua morte forjada estava finalmente em minha frente. Nós duas chorávamos muito, acontecia um misto de sentimentos dentro de mim. Minha mãe levou sua mão até meu rosto e para mim parecia ainda uma miragem. Ela não podia estar viva e na minha frente. 

- Meu amor, eu estou aqui. – ela disse e fechei os olhos com força. – Minha menina, graças a Deus que te encontrei.

- Mamãe... 

Todas as lágrimas que ainda estavam presas, dessa vez foram libertas e desabei a chorar. 

- Eu senti tanto a sua falta. – a abracei com força. 

Sim, era a minha mãe. Reconheceria esse abraço aconchegante mesmo que passassem décadas. 

- Eu precisei tanto de você, mãe. – disse entre soluços. 

- Eu tive medo de nunca mais ver você, mas Deus trouxe você de volta para mim. – ela respondeu acariciando meus cabelos.

- O que aconteceu, mãe? Eu pensei que estivesse morta. – disse separando o abraço e a analisando.

- Eu nunca estive naquele carro, o Hugo forjou tudo. Você sabe onde ele está? Ele tem que ser preso, ele é perigoso filha. – ela disse nervosa.

- Calma, o Hugo não irá nos fazer mal. – disse alisando seus cabelos descuidados, porém continuava linda.

- Já o prenderam? – ela perguntou.

- Ele está morto, mãe. Ele pagou por todo mal que nos fez. – sorri fraco sentindo minhas bochechas molhadas.

- O que aconteceu com ele?

- Isso é uma longa história, nós vamos ter bastante tempo para conversar.  Vamos para casa.

- Onde você está morando? O que fez durante esses anos que estive longe? Tive tanto medo por você ao lado daquele monstro. 

- Em Los Angeles, porém vim passar um mês aqui e resolvi investigar sobre a sua morte e descobri que não tinha nada naquele maldito caixão além de tijolos. Eu espalhei fotos suas pela cidade, mas não tive nenhuma resposta. 

- Eu sinto muito por ter chorado por mim. – ela disse triste.

- Não importa, o importante é que você está viva e aqui, comigo. – a abracei de novo.

- Que saudades de você, minha menina. – respondeu e me olhou. – Você está tão linda.

- Eu tenho a quem puxar. – pisquei.

- Que nada, olhe para mim. Estou maltrapilha, vivendo nas ruas... – lamentou.

- Não mais. Deixe-me fazer uma ligação. – disse pegando o celular no bolso.

Liguei o aparelho pois tinha o desligado para ninguém me atrapalhar. Liguei para Hugh.

- Mellanie? Graças a Deus, o que deu na sua cabeça? Garota, eu sou muito novo para perder meus cabelos de preocupação com você. Onde está? Você está bem? – Hugh disparou logo várias perguntas me fazendo rir fraco.

- Calma, vou mandar minha localização e manda alguém me buscar. – disse em russo e minha mãe me olhou estranho.

- Nunca mais você desliga esse celular, ok? Já estávamos indo atrás de você. – ele disse.

- Tudo bem, tudo bem. 

- Eu mesmo vou te buscar. Manda a localização.

- Ok, até logo. 

Desliguei e mandei por mensagem. 

- Isso não é inglês. – minha mãe disse me olhando. – É seu namorado? 

- É russo, mãe. – ri fraco. – Não, é meu grande amigo. 

- Você tem namorado? – ela perguntou e dei risada.

- Mãe, nós vamos conversar com calma sobre isso.

- Eu estou curiosa.

- Eu sei que está. – respondi.

Hugh chegou rapidamente, acho que eu não estava tão longe da mansão. 

- Vamos, mãe. – disse.

- Eu vou buscar minhas coisas. – ela disse.

- Você não vai precisar nada disso, vamos comprar novas. – peguei em sua mão.

- Você deve estar ganhando bem, então. – ela respondeu e ri.

Hugh desceu do carro e me olhou bravo. Eu sei que ele quer me matar. 

- Quem é? – ele perguntou olhando para a minha mãe.

- Minha mãe. – disse sorrindo.

- O que? Como assim? Está de brincadeira? – ele perguntou incrédulo e ri.

- Não estou brincando, essa é a minha mãe. 

- Como você sai de casa sem a sua mãe e volta com ela? Entraram em contato com você? Por isso que saiu que nem louca? Deveria ter me avisado. – ele respondeu.

- Não foi por causa disso. – respondi triste me lembrando o real motivo da minha fuga. – Na verdade ela que me encontrou. 

- Isso é demais para mim. – ele respondeu e ri fraco. 

- Mãe, esse é o Hugh. Hugh, minha mãe, Madison. – os apresentei nos dois idiomas, para ambos se entenderem.

Hugh estendeu a mão para ela, que a apertou e sorriu. 

- Diga que estou bem feliz por ela estar viva, assim você não vai encher mais meu saco. – Hugh disse e dei risada.

Traduzi para minha mãe e ela riu.

- Podemos ir agora? Jason estava chorando. – ele respondeu.

- Vamos, vamos.

Caminhamos em direção ao carro, fui atrás com a minha mãe e Hugh dirigindo. A cada segundo eu olhava para ela, ainda não conseguia acreditar que ela estava viva e do meu lado. Não demorou muito e chegamos à mansão.

- De quem é essa casa? – minha mãe perguntou boquiaberta.

- Eu aluguei para passar esse mês aqui. – respondi abrindo a porta.

Minha mãe desceu do carro ainda olhando boba para tudo.

- O aluguel deve ser bem caro. Então você está ganhando muito mesmo.

- Nem tanto. – ri fraco.

- Porque esses seguranças todos? – ela perguntou assustado.

- Para a nossa segurança. – respondi.

- Mais porquê? 

- Nós vamos conversar sobre isso, mãe. Mas antes você tem que se livrar dessas roupas e comer bem. – a abracei de lado.

Ela sorriu meio desconfiada. Entramos na mansão e minha mãe olhava tudo com curiosidade. 

- Acho que vocês precisavam conversar bastante, se precisar de mim estarei no quarto. – Hugh disse.

- Obrigada. – sorri para ele.

Chamei uma empregada e subi com a minha mãe para um dos quartos de hóspedes. 

- Prepara a banheira. – disse para a empregada.

Ela assentiu com a cabeça e foi para o banheiro.

- Estou bem ansiosa para nossa conversa. Isso é luxo, Mellanie. – minha mãe disse me olhando.

- Acho que nós merecemos isso. – disse piscando o olho. – Toma um banho demorado, a empregada vai ficar aqui caso você precise de algo. Vou providenciar algumas roupas e jogue essas fora. – me referi as do seu quarto.

- É, elas estão bem feias. – ela riu fraco.

Caminhei até a porta e a abri.

- Eu te amo. – disse para ela que sorriu emocionada.

- Eu te amo mais, minha menina. – ela respondeu e saí do quarto.

Peguei meu celular e pesquisei algumas lojas no shopping, comprei virtualmente e mandei entregarem o mais rápido possível as peças de roupas. Caminhei em direção ao meu quarto para saber o que o Jason tinha dessa vez. A empregada estava tentando dar banho nele, o que não estava dando muito certo.

- Pode ir. – disse para ela.

Ela deve ter dito um graças a Deus mentalmente.

- O porquinho não quer tomar banho? Mas vamos sim. – disse ligando o registro do chuveiro.

- Naaaum. – ele começou a choramingar.

- Amor, porque dificulta as coisas? – o perguntei.

- Quelo meu papai. – ele disse entre soluços.

- Você vai ficar com seu pai, só que agora você precisa tomar um banho. Tem uma pessoa que você tem que conhecer. 

Mesmo choramingando, dei um banho nele. Coloquei um pijama de carrinhos nele, penteei seus cabelos em um topete e passei seu perfume. Ele ficava lindo todo emburrado, me lembra o Justin. Falando nele, eu não conseguia parar de pensar no seu estado de saúde. Eu estava tão preocupada com aquele idiota. Meu idiota, apesar de tudo. 

Ouvi uma movimentação no corredor, deve ser as roupas que pedi para a minha mãe. Saí do quarto com o Jason e alguns seguranças passavam com sacolas de roupas em direção ao quarto que minha mãe estava. Cheguei no quarto e a cama estava repleta de sacolas, minha mãe estava toda boba de roupão olhando.

- Para quê tanta roupa? – ela perguntou admirada.

Ela estava tão focada em olhar a quantidade de sacolas que nem notou o toquinho de gente curioso segurando minha mão.

- Para você. – respondi e o último segurança passou por mim, fechando a porta em seguida. 

Minha mãe desviou seu olhar das sacolas, olhou para mim e em seguida para Jason. 

- De quem é essa criança? – ela perguntou curiosa.

- Você é vovó. – respondi e ela arregalou os olhos. – Jason, dê oi para a vovó. 

Ele me olhou envergonhado e colocou o dedinho indicador na boca, ele sempre faz isso quando sente vergonha. 

- Sou avó? – minha mãe perguntou perplexa. – Mas você é tão nova, filha. Porque quis engravidar logo? 

- Na verdade não foi uma escolha mãe. Bom, mais isso vai ficar para a nossa conversa. 

- Tudo bem. – ela suspirou. – Mas ele é tão lindo. Parece um anjinho. – falou toda boba caminhando até a gente. – Acho que vou precisar colocar meu inglês enferrujado em prática. – rimos. – Vem com a vovó. – ela estendeu a mão para Jason. – Nossa Mel, me senti velha agora.

- Com o tempo você acostuma. – ri fraco. – Vai amor. – incentivei o Jason.

Aos poucos ele soltou minha mão e caminhou todo acanhado até minha mãe, que o pegou nos braços e beijou suas bochechas.

- Oh, ele tem os seus olhos. – ela disse admirando meu pequeno. – E o pai? 

- Está em Los Angeles. – respondi curta para não aprofundar o assunto na frente do Jason.

- Ele deve ser bem bonito. Vocês têm um anjo. – ela disse e ri.

- Sim, ele é lindo. – confirmei. – Olha Jason, a vovó tem os olhos da cor dos seus também. 

Ele a olhou curioso. 

- Dá vontade de apertá-lo. – minha mãe disse e dei risada.

Depois dela beijá-lo bastante, o peguei para que ela pudesse se vestir e irmos jantar. Depois de anos, minha mãe teve um jantar digno. Eu estava dividida entre emoções, por um lado estava feliz por ter minha mãe comigo novamente e triste por saber que Justin estava em um hospital. Lilly nem havia me ligado para dar notícias, meu coração estava apertado. 

- Vou fazer Jason dormir e daqui a pouco vou ao seu quarto. – disse para minha mãe.

- Tudo bem.  - ela respondeu. 

Jason demorou um pouco a dormir, mas assim que ele adormeceu fui para o quarto da minha mãe. Bati duas vezes e ela mandou entrar.

- Acho que precisamos ter uma longa conversa. – ela disse e assenti com a cabeça.

Me sentei na cama e ficamos de frente para a outra.

- Quer começar por onde? – ela me perguntou.

- Primeiro eu quero saber desse acidente. O que aconteceu com você depois. – disse.

- Naquela noite o Hugo me chamou para jantar fora, eu queria até que você fosse com a gente mais ele não quis. Fomos no carro dele, eu não sei exatamente para onde. Era um lugar afastado da cidade, no meio do nada e ele simplesmente me largou lá. Me disse coisas horríveis e foi embora. Eu não sei como ele fez para forjar meu acidente e todos pensarem que eu estava morta. Eu nunca estive naquele carro, naquele acidente. Eu estava em uma estrada de terra bem longe. 

- Ele armou tudo muito bem. 

- Naquela noite eu andei por horas, dormi debaixo de uma árvore e na manhã seguinte continuei andando até encontrar o asfalto, ninguém me dava carona por estar maltrapilha. Quando cheguei à cidade, não tinha para onde ir e nem tinha dinheiro para voltar para casa. Fiquei morando nas ruas mesmo. 

- Que coisa horrível, mãe. Não gosto nem de lembrar das condições que te encontrei. 

- Hugo foi cruel, tirou de mim o que eu mais amava na vida. – ela suspirou.

- Ele pagou por isso, agora estamos aqui e bem. – segurei em suas mãos.

- E você? Como se virou, filha? 

- Depois da sua suposta morte, Hugo quis ir embora para Los Angeles. Eu não tive escolha, não tinha mais ninguém no Brasil. Nós passamos a morar na Califórnia, me obriguei a aprender inglês. Ele me tratava muito mal, me tratava como se eu fosse uma empregada. 

Contei tudo para ela, até chegar na parte que Hugo me vendeu para quitar suas dívidas com o Justin.

- Eu não acredito que ele teve coragem de fazer isso com você! – ela disse horrorizada. – Te vendeu como se fosse um mero objeto.

- Na verdade ele queria se livrar de mim, só foi um pretexto. 

- Que homem horrível. Nem acredito que fiquei com ele por alguns anos. 

- Eu também não. 

- Fizeram alguma coisa com você? – ela perguntou e assenti com a cabeça.

- Quando você morava lá, ouviu falar na família Bieber? – perguntei.

- Sim, Jeremy Bieber estava no auge. – ela respondeu. – Ele fez alguma coisa com você?

- Ele não. O filho dele ficou com o seu cargo, Hugo me vendeu para ele. 

- Estou até com medo de ouvir o que está por vim. Aquelas pessoas não são boas...

- Ele me obrigou a transar com ele, fiquei um mês a mercê do Justin e depois consegui fugir.

- Ele tirou sua pureza? Ai meu Deus... – ela colocou suas mãos no rosto. – Porque não o denunciou por abusos?

- Mãe, ele é Justin Bieber. As autoridades não iam dar a mínima para isso. Enfim, certo dia fui para uma festa, encontrei um senhor e começamos a conversar. Ele me convidou para ir morar na Rússia. Eu já não tinha mais perspectiva de vida nenhuma na Califórnia. E como acreditava que não tinha mais como minha vida piorar, eu acabei aceitando.

- Mas você nem o conhecia, Mellanie. Por Deus! – exclamou.

- Mas ele foi um pai para mim, como nunca o Hugo foi. Ele me tratava como se eu fosse realmente a filha dele. Ele tinha perdido a sua pouco tempo. Então já na Rússia, eu descobri que estava grávida.

- Grávida de quem?

- Do Justin, mãe. Ele é o pai do Jason. – respondi e ela arregalou os olhos.

- Justin Bieber é pai do meu neto? – assenti com a cabeça. – Meu Jesus amado, Mellanie.

- No começo eu também não queria, mãe. Eu ia ter um filho da pessoa que tinha me violentado. Mas você sabe, surge um amor inexplicável quando você sente que tem um serzinho dentro de você e o meu bebê não tinha culpa. Yure cuidou de mim, mesmo grávida. Porém, antes do Jason nascer, Yure se matou. Eu sofri tanto pois já nutria um sentimento por ele. Só depois de sua morte, eu fiquei sabendo o que ele era e o que fazia. Ele era presidente da Máfia Russa, mãe.

- Quando penso que não vou me surpreender mais nessa história, você me conta isso. Ele era criminoso, Mellanie?

- Sim. E ele deixou tudo para mim e o Jason. 

- Como assim?

- Eu que fiquei com o seu cargo e tive que aprender tudo com o Hugh.

- Tudo o quê? – arregalou os olhos.

- A ser fria, calculista, a cuidar dos negócios... Yure me deixou uma fortuna inestimável. 

- Por isso esse luxo todo... – ela sussurrou mais para si mesma.

- Eu apanhei e aprendi com a vida. Eu... – fiquei receosa em continuar, porém ela tinha que saber. – Eu que matei o Hugo.

- Vo-você o quê? Meu Deus, o que fizeram com você? – ela disse atordoada levantando-se da cama.

- Ele mereceu! Aquele infeliz desgraçou as nossas vidas. 

- Você era um doce de menina, não fazia mal para ninguém. Nem um inseto, filha! Como deixou isso acontecer? 

- Eu não tive escolhas! Yure tinha deixado tudo para mim, eu não ia desapontá-lo. Ele me levou para casa e me tratou como filha, sem nem me conhecer direito. E eu ainda tinha que criar o Jason. E ainda por cima, eu queria me vingar do Justin, por tudo o que ele me causou.

- Quantas pessoas você matou? – ela perguntou me olhando com a mão na testa.

- Muitas. – respondi e ela começou a andar pelo quarto. – Matei quem mereceu. 

- Então quer dizer que você pode ser presa a qualquer hora? 

- Não mãe. Não é isso. Hoje, manda quem tem dinheiro. Nunca irão conseguir me colocar atrás das grades, eu sou a presidente da Máfia Russa, a maior máfia de tráfico atualmente. 

- Mellanie, você só pode estar brincando comigo. Você andou assistindo muitos filmes, me fala que não é verdade. – ela disse andando para lá e para cá.

- Mãe, se acalma. Eu estou lhe contando a verdade. Eu nunca te escondi nada, nem meus namoradinhos.

- Meu Jesus! – ela disse respirando fundo e sentou-se.

- Continuando... Eu voltei para Los Angeles e fiz de tudo para me vingar do Justin. Dei um golpe nele, roubei o dinheiro dele dos cofres na Califórnia, quase deixei que o prendesse, porém não contava que iria me apaixonar por ele.

- Você se apaixonou por ele? Ele te violentou, Mellanie! – ela disse inconformada.

- Eu sei, eu sei. Mas avisa isso para o meu coração! Quando eu vi, eu já tinha o tirado do porta-malas da viatura e já tinha o deixado em frente à sua mansão, desacordado. Eu não podia deixar isso acontecer com ele. 

- Ele sabia do Jason? 

- Não, eu não contei. Porém, um aliado do Hugo sequestrou o Jason. Eu não sabia o que fazer e recorri ao Justin, só assim ele ficou sabendo.

Pulei as partes das surras porque minha mãe não precisava odiar o Justin, logo de cara.

- Depois nós ficamos juntos e bom, acabamos nos casando.

- Ok, essa parte é brincadeira né?

- Não. – ri fraco. – Eu sou casada com o Justin, mãe.

- Então cadê a aliança? 

- Está com ele.

- Eu estou confusa agora.

- Três semanas atrás, Justin saiu, usou muita droga e me traiu com uma vadia na qual eu confiava. Então vim passar um mês no Brasil para esfriar a cabeça e disse que se ele viesse atrás de mim, iríamos nos separar. Ele não concordou, porém eu vim e deixei a aliança com ele. 

- Caramba, Mellanie. Já não gostei dele.

- Ele é uma boa pessoa, mãe. Mas ele não quer mostrar esse lado bom dele. 

- E porque você estava chorando quando te encontrei na praça?

- Antes de sair, minha amiga me ligou dizendo que o Justin teve uma overdose. Desde quando eu vim para cá, ele bebeu e usou muita droga. 

- Meu Deus! E como ele está? Você falou com ele?

- Não. – mordi o lábio sentindo um nó se formar em minha garganta. – Eu estou tão aflita. A Lilly não ligou para dar notícias e eu não falo com ele desde que vim para cá.

- Você o ama muito? – ela perguntou segurando em minhas mãos.

Assenti com a cabeça deixando lágrimas caírem.

- Oh, meu Deus. – ela me abraçou. – Depois de tudo que ele fez, não tem outra explicação, só pode ser amor mesmo. 

- Da minha parte sim, mas ele me traiu. – respondi ainda em seus braços.

- Ele não se arrependeu?

- Ele disse que sim, me pediu desculpas mais eu estou magoada ainda.

- Filha, ele deve te amar também. Ele não bebeu todos os dias à toa, ele deve estar sofrendo com essa distância. 

- Eu pedi para ele se cuidar. Ele quer me deixar mal.

- Os homens nunca fazem o que nós pedimos. 

- Eu estou com medo. A minha amiga, a Lilly disse que ele foi muito mal para o hospital. 

- Ele vai ficar bem, não se preocupe. Ele tem que ficar bem, pois vou ter uma conversa muito séria com ele. – ela disse e ri fraco.

- A única coisa que me conforta é saber que vaso ruim não se quebra facilmente. – respondi e ela riu.

- Deixe-me ver alguma foto dele. – ela pediu. 

- Ok! – limpei as lágrimas e peguei meu celular.

Coloquei na galeria de fotos e dei para ela ver. 

- Nossa! Que gato. – ela disse e riu. – Jason é a cópia dele. Olha só, Mel. 

- Todo mundo diz isso. Digamos que eu só emprestei minha barriga.

- Vocês são tão lindos, juntos. – ela disse e mostrou a foto que estava vendo.

Justin estava beijando minha bochecha e eu estava sorrindo. Que saudades dele! Suspirei vendo.

- Ele me faz falta. – confessei.

- Porque não volta? 

- Ele precisa aprender, por mais que eu esteja morrendo de vontade de estar com ele, o meu orgulho não deixa.

- De onde surgiu esse orgulho todo? 

- Eu também não sei. Enfim, antes do Hugo morrer ele...

Antes que eu terminasse, meu celular começou a tocar. Era a Lilly, meu coração logo disparou.

- Alô? – atendi.

- Desculpa a demora por dar notícias. 

- Tudo bem. Como ele está? 

- Agora o quadro dele está estável.

- Como assim agora?

- Eu disse que ele foi mal para o hospital. Aconteceram algumas complicações, mas está tudo bem agora.

- Que vontade de matar o Justin! – resmunguei e ela riu.

- Calma, deixa ele sair do hospital. Ele ainda não acordou e vai ficar em observação por uns dias.

- Duvido que ele fique. Justin odeia hospitais.

- Também duvido. 

- Preciso te contar uma coisa.

- O quê? – ela perguntou curiosa.

- Adivinha quem está do meu lado? 

- Como vou saber? Diz logo. – ela disse impaciente.

- Que sem graça. É a minha mãe.

- Mentira! – ela disse pausadamente. – Como você a encontrou? Meu Deus! Estou tão feliz por você.

- Na verdade, ela que me encontrou. Eu estava em uma praça chorando por causa do idiota, ela foi falar comigo. Eu ainda nem acredito.

- Caralho! Pra tu ver que a gente não tá aqui na terra para sofrer. – ela disse e dei risada.

- Que bom! Ah, preciso do seu favor.

- Manda. 

- Preciso que venha para o Brasil.

- Fazer o quê? – ela perguntou confusa.

- Eu vou ficar ainda mais uma semana e alguns dias aqui, completando o mês. Só que o Jason está sentindo muita falta do Justin, eu quero que você venha e leve o Jason com você.

- E você acha que ele vai querer ficar longe de você?

- Tudo o que ele mais quer é ficar perto do pai, ele tá nem aí para mim. – disse rindo e ela riu. – Vão ser poucos dias longe dele.

- Tudo bem. Eu vou.

- Pode ser depois de amanhã? – perguntei.

- Claro. OH RYAN, EU VOU PARA O BRASIL! – ela cantarolou e dei risada.

- Idiota! Vou desligar agora.

- Ok vadia. 

- Depois eu passo o endereço. Fala para o Ryan descolar um jatinho, é mais seguro.

- Tá bom!

- Beijos!

- Beeeeeeeijos.

Ri e desliguei. Ela tem pouco juízo.

- Ele está bem? – minha mãe perguntou.

- Sim. – sorri.

- Graças à Deus. 

- Como eu estava falando, o Hugo me disse que não era meu pai. E quem é então?

- Ah, ele disse? – ela perguntou e assenti. – Me desculpe por ter escondido isso de você, mas era para a nossa segurança.

- Está tudo bem, isso não me importa mais. Mas eu gostaria de conhecê-lo.

- Eu não faço ideia onde ele esteja. – ela disse triste.

- Você ainda se encontrava com ele? Hugo disse que sim.

- Sim. Eu o amava.

- Amava ou ainda ama? – perguntei e ela sorriu fraco. – Já sei. Fiquei mais curiosa para conhecê-lo.

- Eu não sei onde ele está, filha.

- Só me diga nome e sobrenome, nós os encontraremos.

- Augusto Palhares. 

- Hum... Ele sabe de mim? 

- Sabe. Ele te viu até os seis anos de idade, depois fiquei com medo do Hugo saber.

- Ele gostava de mim? 

- Claro, você é filha dele.

- Acho que estou mais ansiosa para vê-lo do que você. Eu não tenho lembranças dele.

- Você era muito pequena.

- Vou pedir para o Hugh procurar.

Para não ter que ir até o quarto do Hugh, mandei por mensagem e ele pediu que eu aguardasse. Minha mãe descreveu as características para mim e repassei para o Hugh, ficaria mais fácil. Minutos depois, ele mandou a foto de um homem e mostrei minha mãe.

- É esse? – perguntei e ela analisou a foto.

- Ele continua lindo como sempre. – ela disse sorrindo e emocionada.

- Meu pai é um gato! – disse analisando sua foto.

Cabelos grisalhos, olhos azuis e sorrisinho de lado. Acho que parece comigo.

- Ele está trabalhando em um escritório de advocacia. Hugh me passou o endereço, amanhã vamos lá.

- O-o quê? – minha mãe disse.

- Ué, vamos lá mãe. Você não quer vê-lo? Eu preciso conhecer meu pai.

- Nós vamos chegar do nada? 

- Claro que não. Hugh marcou com ele, disse que precisamos de um advogado. O que não é verdade.

- Caramba! Vocês são sempre assim?

- Com certeza. – ri fraco. – Agora vou deixar você descansar. Prepare-se porque amanhã nós vamos ao salão.

- Sério? Meus cabelos realmente estão precisando de uma boa hidratação.

- Claro. Meu pai vai cair de quatro por você, de novo. – disse me levantando da cama e ela riu.

- Ok. Boa noite, minha menina. 

- Boa noite, mamãe. – sorri e mandei um beijo para ela.

Saí do quarto e fui para o meu. Jason estava do mesmo jeito que o deixei, dormindo de bunda para cima. Me deitei devagar para ele não acordar, demorei ainda um pouco para dormir.

(...)

Fiquei a manhã toda com a minha mãe no salão, e o Jason, claro. Minha mãe deu uma mudada no visual, estava precisando mesmo. Fizemos todo aquele ritual demorado no salão, depois almoçamos no Shopping mesmo. Voltamos para a mansão, preferi irmos para o escritório de advocacia sem o Jason. Deixei a empregada olhando ele. 

Enquanto eu dirigia, minha mãe estava inquieta do meu lado.

- Você vai me deixar nervosa. – disse.

- É involuntário. – ela disse e ri.

- Você está bem gata. – respondi e ela riu dessa vez.

- Estou me sentindo gata. – ela disse e rimos.

Fiquei conversando besteiras com a minha mãe, como sempre fazíamos. Vinte minutos depois, chegamos ao escritório. 

- Tem certeza que quer ir? – minha mãe me perguntou.

- Claro mãe, desce. – disse saindo do carro.

Com muito custo, ela saiu do carro. Entramos no prédio e falamos com a recepcionista. Ela informou o andar e a sala do Sr. Augusto Palhares. Entramos no elevador e a cada andar que subia quem ficava nervosa era eu. Chegamos ao quinto andar, caminhamos em direção à outra recepcionista e informei que tínhamos um horário marcado.

- Claro, podem entrar! – ela disse simpática.

Era agora ou nunca. Minha mãe estava nervosa porque ia rever o grande amor da vida dela e eu ainda mais, ia conhecer finalmente meu pai. Segurei no trinco da porta e girei, entramos na sala e um homem estava sentado olhando uma pilha de papéis.

- Sentem-se! – ele disse concentrado no que estava fazendo.

Como ninguém se mexeu, ele levantou o olhar para nós duas. 

- Desculpem a falta de educação, estou cheio de coisas... – ele começou a dizer e parou olhando para a minha mãe. – Madison? 

- Oi Augusto. – minha mãe conseguiu dizer, graças à Deus ela não caiu dura no chão.

- Meu Deus! Você está viva! – ele disse atordoado caminhando em nossa direção.

Meu pai abraçou a minha mãe e eu quase chorei. Eles ficaram abraçados por longos segundos.

- Não acredito nisso. Você tem noção do quanto eu sofri, mulher? – ele disse.

- Eu vou explicar tudo o que aconteceu. – ela disse separando o abraço. – Não reconhece esses olhinhos? – ela disse apontando para mim.

- Não vai me dizer que... – ele disse me olhando. – É a minha menina? 

- Olha como ela cresceu. – minha mãe respondeu.

- Ela está uma mulher, Madison! Não vai dar um abraço no seu pai? 

Ele perguntou de braços abertos e senti que poderia morar naquele abraço. Fui em sua direção e o abracei.

- Pai! – sussurrei a palavrinha que ficou presa em minha garganta por tantos anos. 

Aquele abraço não era desconhecido para mim, eu sabia que já o tinha sentindo. 

- A última vez que te vi você era tão pequena, parecia um anjinho. – ele disse afagando meus cabelos.

- Eu acho que vocês têm muito o que conversar. – disse separando o abraço.

- Com certeza temos. – ele respondeu. – Um minuto.

Ele se dirigiu até sua mesa, pelo interfone avisou para a secretária cancelar todos os compromissos de hoje.

- Eu vou deixar vocês às sós. Estou esperando aqui fora. – disse.

- Tá bom. – minha mãe respondeu.

Caminhei em direção à porta.

- Ela é tão linda, parece com você. – ouvi meu pai dizer, sorri e fechei a porta.

Pai! Finalmente eu tinha um. A vida é literalmente uma montanha-russa. Acho que está na hora de eu ser feliz. Ninguém nasceu para sofrer. Sofrer é uma escolha e eu escolho ser muito feliz.


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