Fanfics - Justin Bieber

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Dangerous Life - Capítulo 35 - Nightclub

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Mellanie’s POV

- Eu já disse que não vou comer isso ai. – falei impaciente para Justin.

- Azar o seu, quem vai ficar com fome não sou eu mesmo. – ele deu de ombros e retirou-se do quarto.

Filho da puta, se ele pensa que vou comer essa porcaria está redondamente enganado. Nunca gostei de sopa, parece lavagem. Tudo bem que tem até umas gostosas, mais essa só de vê-la já me embrulha o estômago. Fiquei deitada encarando o teto, adoraria me levantar, mais eu estava fraca e dolorida. Preferi ficar na minha mesmo, até uma alma caridosa aparecer e me servir algo que preste. Estava quase dormindo quando ouvi uma gritaria aproximando-se do quarto, quando virei o rosto vi Lilly entrando no quarto feito um furação. Atrás dela vinha um segurança tentando impedi-la.

- Não encoste em mim porra. – ela fechou a porta com força na cara do homem que me fez rir fraco. – Ai meu Deus amiga, o que fizeram com você? – ela correu até mim e me abraçou.
Reclamei de dor e ela desfez o abraço.

- Desculpa. Eu não deveria ter te deixado sozinha, me desculpa. – ela dizia segurando em minhas mãos com um ar de tristeza.

- Está tudo bem, Lilly. O Jason está a salvo. – disse sorrindo de lado.

- Eu o vi lá em baixo. – ela sorriu, mais logo desfez o sorriso. – Ele te bateu muito né.

- Sim bateu. Faz três dias e ainda sinto dores. Parece que está tudo destruído por dentro.

- Eu sinto muito. – ela suspirou. – Não está tomando nada pra dor?

- Eu não sei. Dormi durante dois dias, eu estou sem saber de nada.

- Vamos pegar o Jason e ir embora daqui, não vou permitir que ele encoste um dedo se quer em você. 

Lilly disse confiante e me lembrei do que Justin disse. Encarei o vazio e meus olhos começaram a encher de lágrimas.

- O que houve? – Lilly perguntou me olhando preocupada.

- O Justin, ele quer tirar Jason de mim. – algumas lágrimas rolaram pela minha face e Lilly me abraçou devagar.

- Ele não pode fazer isso. Você é mãe do Jason e cuidou dele durante todo esse tempo, ele não é louco em tirar Jason de você.

- O pior que ele é Lilly, e me dói em saber que não posso fazer nada.

- Como não pode? Isso não vai ficar assim. Justin está passando dos limites, primeiro ele te bate, a culpa de você ter ido parar no hospital foi inteiramente dele, segundo quer tirar o Jason de você. Ele perdeu a noção do perigo? Filho da puta.

Lilly disse irritada. Irritação estava longe do que eu estou sentindo, sinto ódio e raiva do Justin.

- Vou chamá-lo agora e vamos resolver essa porra aqui.

Ela disse e saiu, nem me deixando falar nada. Isso vai dar merda. A fome apertou, coloquei meus pés pra fora da cama e consegui me levantar, que Deus me livre de uma tontura agora. Eu ainda estava de roupão, e ficaria assim. Fui me apoiando nas paredes até chegar ao corredor. Não estava zero de energia, mas sentia que a qualquer momento minhas pernas não agüentariam o peso do meu corpo. Os seguranças me olharam com um ponto de interrogação na testa, como aqueles que aparecem em desenhos animados quando os personagens não sabem o que fazer, mas eu devo estar tendo alucinações mesmo. Balancei a cabeça negativamente e cheguei até as escadas.

- O que pensa que está fazendo? – ouvi aquela voz atrás de mim, levei um susto enorme que tive que me apoiar pra não rolar escada a baixo. Era o Ryan.

- Ai porra. Não te interessa. – resmunguei e desci um degrau.

- Vai rolar escada a baixo assim. – Ryan disse atrás de mim.

- Já ouviu falar que vaso ruim não se quebra? Eu sou um vaso ruim. – disse e fui descendo devagar. – Onde está o Jason?

- Com o Justin.

- Ele não larga do meu filho? Que porra.

- O filho também é dele.

- Não precisa ficar me lembrando, disso eu sei.

Ele não disse mais nada e consegui chegar até o último degrau, sentindo algumas tonturas mais deu certo. Estava rezando pra não encontrar ninguém da família por aqui, não estou em condições de voar no pescoço de ninguém. Fui até a cozinha e me sentei.

- O que tem pra comer? – perguntei uma daquelas empregadas novas.

Ela disse uma porção de coisas e no final me perguntou o que eu estava fazendo na cozinha, deveria estar no quarto e bla bla blá.

- Eu que faço as perguntas aqui ok? Então faça o favor de preparar alguma coisa pra me comer, não vou comer aquela porcaria de sopa. Entendeu? – disse estressada.

Já estava com fome, com raiva e ainda vem essa bendita querendo ser o Justin da vida? Querendo me dizer o que devo fazer ou não? Dar o cú ninguém quer, mais me deixa com fome querem. Eu estava sentada mesmo assim as tonturas não passavam, as vezes minha visão ficava escura, finalmente a bendita da empregada me serviu alguma coisa para comer. Antes amarrei meus cabelos em um coque mal feito só pra não ficar no meu rosto. Ouvi uma gritaria que estava se aproximando da cozinha, se falassem baixo e devagar poderia identificar as vozes, ou eu estava tão franca que estava perdendo até os sentidos.

- Que porra é essa? – ouvi a voz do Justin.

Bufei e continuei comendo.

- Eu falei com você Mellanie. – ele disse, levantei minha visão e vi Lilly com os braços cruzados atrás do Justin, ela estava aborrecida.

- Você não falou comigo, você perguntou que porra é essa. – respondi e dei um meio sorriso de boca cheia.

- Depois você quer que eu faça um acordo com ela. – ele disse para Lilly. – Faço porra nenhuma, vai ser do jeito que eu quiser agora.

- Do que vocês estão falando? – perguntei tomando suco de laranja.

- Só nos finais de semana e pronto. – Justin disse seco para Lilly e saiu da cozinha.

- O que aconteceu? – perguntei. – Não é o que eu estou pensando é?

- Se é o que você está pensando eu não sei. Mas Justin quer que você veja Jason só nos finais de semana. – ela respondeu sentando à minha frente.

- Desgraçado. Que ódio desse infeliz. Eu não vou deixar meu filho com ele.

- Mel, eu fui falar com ele e não consegui colocar na cabeça outra forma de vocês resolverem isso. A decisão dele já está tomada.

- Mas a minha não. – disse e tomei todo o suco. – Ele vai me ouvir. – me levantei.

- Mellanie, não piore a situação, por favor.

- Não tem como ficar pior Lilly. Pra onde será que ele foi?

- Escritório eu acho.

Assenti com a cabeça e fui em direção a escada. Que sofrimento. Bufei frustrada e lá vai uma longa subida, subi devagar mesmo. Finalmente cheguei ao corredor e me direcionei até o escritório do Justin, entrei sem bater. Eu nunca bati e nem vai ser agora que vou dar uma de educada.

- Fora. – Justin disse assim que me viu entrar.

- Cala a boca. Que história é essa que eu só vou poder ver Jason nos finais de semana? – perguntei em pé, enquanto ele estava sentado em sua mesa olhando para uns papéis.

- É essa a história, não precisa saber de mais nada. Só marcar o horário pra vir vê-lo.

- Acho que eu não entendi direito. Marcar horário pra ver meu filho? Pirou de vez.?

- Você que pirou em vir me afrontar aqui depois da surra que te dei. Sabe muito bem que minha paciência com você é curtíssima, então não me estressa falou?

Engoli a seco quando ele falou da surra. Mas não vou passar o resto dos dias com medo dele. Afinal, eu sou a Mellanie Fox, e os homens fazem o que eu quero, certo? Errado. Isso não funciona com o Justin.

- EU SOU A MÃE DELE. JASON VAI FICAR COMIGO. – gritei, minha cabeça doeu um pouco e abaixei o tom de voz. – Ele não é acostumado com você. Ele precisa de mim.

- E EU SOU O PAI. JÁ DECIDI, ELE VAI FICAR COMIGO. – ele levantou-se batendo forte na mesa com as duas mãos. – Você querendo ou não. Aceita isso numa boa, ou eu juro que sumo com o Jason e você nunca, está ouvindo? Nunca vai se quer saber notícias dele.

- Você não teria essa coragem... – disse com a voz falha.

- Já te disse pra não duvidar de mim. Eu sou capaz de tudo Mellanie. Você não me conhece o suficiente. – ele disse completamente seco, sem transparecer nenhuma emoção por seus olhos. Apenas aquele olhar frio que me machucava.

- Eu odeio você, Justin Bieber.

- Foda-se. Não quero nenhum sentimento bom que venha de você. Aliás, não quero nada de você. Só quero distância, sua falsa. Some daqui, agora.

Meus olhos marejaram e encarei Justin com ódio.

- Vamos ver por quanto tempo Jason vai conseguir ficar sem mim. – falei e saí batendo a porta.

As lágrimas embaçavam a minha visão, as limpei rapidamente e voltei para o quarto onde eu estava sem saber o que fazer. Eu tinha que aceitar o que Justin propôs,ou eu ficava sem meu Jason pra sempre. Ouvi algumas batidas na porta, em seguida ela foi aberta, era Lilly com o Jason nos braços. Chorei ainda mais ao ver meu pequeno anjo, só de imaginar que vou ter que ficar longos cinco dias longe dele me dói. E muito. Ninguém pode fazer isso com uma mãe. Ele desceu de seus braços e veio até a mim, coloquei ele em meu colo e o abracei, chorando muito e molhando sua blusinha do Batman.

- Justin pediu pra trazer ele pra você se despedir. Ele quer você o mais rápido possível fora daqui Mel. – Lilly disse sentando ao meu lado.

Eu só conseguia chorar. Parecia que a dor só fazia aumentar dentro de mim, as lágrimas eram incontroláveis. Eu não podia deixar isso acontecer, eu tinha que arrumar algum jeito de levar Jason comigo. Mas não vou deixá-lo com Justin. Ele tem que viver comigo, como sempre viveu. Nem que pra isso eu tenha que dar fim no Justin. Mas agora não, eu precisava pensar em como fazer isso .

- O ti foi mamãe? – Jason perguntou depois de ter me deixado chorar horrores agarrada com ele. – Tá dodói?

Assenti com a cabeça.

- Aqui dói. – coloquei sua mãozinha no meu coração.

- Masucou? – perguntou. Nem parecia uma criança de quase três anos. Ele é mais compreensivo do que muitas pessoas por ai.

- Sim amor, está muito machucado.

- Quem masucou? – ele perguntou raivoso, tive que soltar um meio sorriso em suas lágrimas.

- Ninguém meu amor. É que a mamãe vai ter que viajar por alguns dias pra comprar um presente enorme pra você e... – algumas lágrimas rolaram. – Vou ficar com saudades, é isso.

- Quelo ir com vuxê mamãe. – ele disse com as duas mãos no meu rosto.

- Não pode bebê, é surpresa. Você vai ficar com o seu pai.

- Surpesa? – assenti com a cabeça. – Obaaa ! – ele beijou minha bochecha.

- Não vai ficar com saudades de mim? – perguntei limpando minhas lágrimas.

Lilly estava ali o tempo todo prestando atenção na nossa conversa. Sei que ela está sofrendo como eu. Ela é muito apegada ao Jason. Ele é o nosso xodó. Meu bebê.

- Vou xim. Muitão axim. – ele abriu os braços me fazendo rir.

- Promete pra mamãe que nunca vai esquecer de mim? – meus olhos marejaram de novo.
Isso está sendo tão difícil pra mim. Meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso?

- Plometo. Plomete que vai tazer meu plesente? – ele perguntou estendendo o dedinho, não sabia se ria ou se chorava. Mas optei por fazer os dois. Agarrei seu dedinho com o meu e os beijei.

- Eu prometo. A mamãe te ama tá?

- Também amo a mamãe. – o abracei forte.

- Vou ter que ir agora amor. Vai se comportar né?

- Xim. – disse e balançou a cabeça negativamente. Como o Chavez fazia, ri fraco.

- Jason !

- Vo mamãe, vo.

- Ótimo. Agora dá aqui o beijo da mamãe.

Apontei pra minha bochecha. Ele deu um beijinho nas duas e de brinde ainda ganhei um selinho molhado. Ri e beijei sua testa.

- Vai lá com a tia Lilly.

Ele assentiu, Lilly levantou-se e pegou Jason no colo. Ele saiu do quarto me dando tchau, meu coração se partiu em mil pedaços e mais uma vez estava chorando. Eu não vou conseguir ficar sem meu filho, sem meu Jason.

(...)

Fazia apenas 24 horas que eu tinha saído da casa do Justin e que estava longe do Jason. E a saudade já batia. Queria saber como ele estava, se ele não tinha se machucado em uma das suas brincadeiras, se ele tinha comido tudo, se tinha merendado, se estava dormindo direitinho, se comportando eu sei que ele não estava porque eu conheço o filho que eu tenho. Se ele estava com saudades de mim, se ele perguntava por mim, se a víbora da Pattie e a Jazmyn não o atormentava. Se ele estava sendo bem cuidado. Acho que não, porque ninguém cuida tão bem de um filho com a própria mãe. E no caso, ninguém cuida do Jason como eu cuido. Ele não vai estar bem cem por cento, ele está longe de mim.  Eu não consegui dormir na noite anterior, meus olhos ardiam e meu corpo doía pedindo por descanso, mais eu simplesmente não conseguia. Estava à base de remédios para dor, e para desinflamar qualquer machucado interior. Lilly estava me fazendo companhia, tentando me animar. Meu corpo rejeitava qualquer tipo de comida, nada mais importava. Eu só queria meu filho, aqui comigo.

- Mel, você não pode ficar assim.

Lilly dizia. Já perdi as contas de quantas vezes ela repetia essa frase, mais ela tinha a mesma resposta.

- Não posso, mas eu vou. – abracei um travesseiro.

- Ok, já chega né. Você tem que comer, pelo amor de Deus. Jason não vai te reconhecer quando for vê-lo, faz isso pelo menos por ele. Eu sei que você está com ódio do Justin e tudo mais, mas não pode ficar nessa deprê da porra. É assim que ele quer te ver, no fundo do poço, e eu acho que não vai demorar muito. Olha pra você!

Não iria demorar mesmo. Porque eu estava definitivamente no fundo do poço.

- Eu sei Lilly, eu sei.

- Renan ligou, ele quer saber notícias de você. – ela suspirou.

- Diga que estou bem, e que continue cuidando dos negócios. Não estou com cabeça pra isso.

- Você não está com cabeça pra porra nenhuma. Não quer comer, não quer dormir. O que você quer mulher?

- EU QUERO SUMIR, É ISSO!

- Isso. Realiza o sonho do Justin. É bom que ele fica com Jason só pra ele. Está entregando o menino de mãos beijadas para ele.

- Não entreguei nada. Ele me tomou. E ainda disse que se eu tentasse algo ia sumir com o Jason. O que eu faço? Faço nada, fico aqui obedecendo as ordens daquele filho de uma égua como uma cachorra na coleira.

- Estou cansada de discutir isso com você. Olha, eu sou sua amiga e eu só quero o seu bem. Creio que você também quer o meu então come pelo menos, você vai estar me fazendo um bem danado. Por favor, Mel.

Bufei inconformada. Lilly tinha razão. Não posso ficar nessa. Jason precisa de mim, e vou buscá-lo. Nem que Justin vá até o inferno, mais eu vou lá. Ela foi até a cozinha pegar algo para eu comer, já que concordei em comer algo. Não demorou muito e ela chegou com uma bandeja cheia de coisas dentro, e um suco de laranja. O copo era enorme, só pra constar.

- Olha a Rose fez tudo isso aí, e ela disse que é pra comer tudo pra você ficar boazinha logo. 
– Lilly disse.

- Não vou comer tudo. Mas está com uma cara ótima.

- Não só a cara como o sabor também. Come, só vou sair daqui depois que você comer.

- Nossa, quer dá uma de mãe agora é?

- Pretendo. – ela disse e ri fraco indo comer alguma coisa.

A comida estava realmente gostosa. Mas não entrou muita coisa no meu estômago, Lilly me obrigou aquele a tomar todo aquele suco de laranja, tenho certeza que tinha algo a mais ali, pois comecei a ficar logo sonolenta. Nem vi quando ela saiu com todas aquelas coisas.

(...)

Quarta-feira, e Lilly me convenceu sair de casa. É, não sei como ela conseguiu. Nem preciso falar da saudade enorme que eu estou de Jason. Nem ligar Justin deixa pra saber como ele estava. Filho da puta. Acho que se ele aparecesse aqui na minha frente, eu esqueceria a surra que ele me deu e encheria ele de porrada. Vamos ver se ele é homem o suficiente. Eu tinha que me distrair com alguma coisa, então Lilly escolheu uma boate para irmos. Não vou beber, nem nada. Só não quero ficar em casa, com todos os meus pensamentos voltados para Jason. Eu estava no banheiro terminando de arrumar o cabelo enquanto ela ficava me apressando.

- Calma tô terminando. – respondi e dei uma última olhada no espelho saindo do banheiro.

- Amém. Vamos logo. – ela pegou em meu braço e saiu me arrastando, só deu tempo pegar minha bolsa, meu celular e uma pequena faca que a carrego dentro da bolsa.

Não sou de me gabar muito, mas estávamos lindas. Eu vestia um vestido rosa bebê colado no corpo, um pouco curto mostrando minhas pernas e destacando minhas curvas, meus seios quase saltavam do decote enorme pra fora. Tinha alguns detalhes brilhantes no vestido, e meu salto preto enorme. Meu cabelo estava solto, apenas jogado para o lado. Em falar nisso, ele está enorme, batendo na bunda. Uma maquiagem bonitinha e um batom vermelho destacando meus lábios. Lilly vestia um vestido cinza, onde no meio era meio transparente, dos seios até o umbigo, seus seios estavam dando oi pra qualquer um que olhassem, espremidos iguais aos meus. Vestido colado e curto, e um salto alto na mesma cor do vestido, seu cabelo estava solto também, com uma maquiagem destacando mais os olhos, e um batom neutro. Estávamos lindas.

Escolhi um dos meus carros, o mais chamativo que tenho e o mais caro. Entrei e tirei meu salto porque dirigir com salto é foda. Liguei o carro, manobrei na garagem e saí passando pelo portão. Pisei fundo no acelerador e Lilly ia me indicando o caminho, mesmo tendo GPS. Não curto muito essas merdas. Em frente a boate estava completamente lotado, muitos carros luxuosos e umas putinhas encostados neles. Deduzi que aqui deve freqüentar bastante guri metido a cafetão. Estacionei bem na frente arrancando olhares de todos que estavam na fila pra entrar, calcei meus saltos e saí com a Lilly, logo veio um carinha e o paguei pra olhar meu carro. Recebemos alguns elogios maliciosos como sempre, mais eu ignorei porque hoje não to nem ai pra vida. Fomos até a entrada e uma muralha nos encarou com as sobrancelhas erguidas.

- Tem que esperar na fila, moças. – ele disse.

- Olha pra mim, e vê se eu tenho cara de esperar na fila? Libera logo a passagem porra. – Lilly disse me fazendo rir fraco.

- Epa docinho, quem é você pra falar assim comigo? – ele disse mudando o tom de voz.

- Ela é a amiga da Mellanie Fox. Então você vai liberar a porra da passagem caladinho ok?

- M-Mellanie Fox? – ele perguntou incrédulo.

- A mesma queridinho. Sai do meio.

Disse e passamos esbarrando nele. Rimos ao chegarmos lá dentro. A boate estava cheia, pelo o que a Lilly disse, era DJ novo na área. Ele deve ser muito bom, porque estava bombando. As luzes coloridas quase me deixavam cega. Arrastei Lilly até o bar porque eu estava morrendo de sede, sentamos e o barman gatinho veio nos atender.

- O que desejam, senhoritas? – perguntou e vi a Lilly sorrir maliciosamente para ele, ri dando uma cotovelada nela. 

- Eu quero você. – Lilly disse e gargalhei alto. Ela riu também e o garçom ficou totalmente sem graça. – Brincadeira lindinho. Uma dose de Martini, por favor, com cereja.

- Sim senhora. – ele sorriu sem graça. – E você? – me perguntou.

- Um copo com água.

Ele arregalou os olhos achando estranho o pedido.

- Água? – Lilly perguntou me olhando.

- Eu estou com sede poxa.

- Tá né. – ela deu de ombros e o garçom foi pegar as bebidas.

Nos viramos e ficamos olhando para a pista de dança olhando aquele povo transando com roupas, porque aquilo não parecia nada com uma simples dança. Nossas bebidas chegaram e resolvemos subir para a área vip, mais tarde damos um pulo aqui.

Justin’s POV

Depois de um dia cansativo, resolvendo mil e uma coisas, já que esses caras não resolvem nada direito, Chaz deu a idéia de irmos para uma boate que ele freqüenta às vezes. Concordamos. Nos arrumamos e partimos em direção a tal boate, só quero que seja boa mesmo, porque não estou afim de dar viagem perdida. Quando o segurança soube que era eu logo liberou a passagem, até parece que Justin Bieber vai ficar na fila pra entrar em qualquer lugar que seja eu entro e pronto, não tem essa de ficar esperando. Realmente, a boate estava lotada. Passamos logo para a área vip, não me misturo com essa gentinha baixa. Quando entramos tinha umas gostosas lá, digo, vadias. Sentamos nos sofás e logo veio um garçom nos servir, não estava a fim de encher a cara, mas também não queria ficar em casa. Tenho certeza que Jason estaria acordado perguntando pela a mãe, esses dias ele tá dando um trabalho pra dormir, puta que pariu. Os moleques não paravam de conversar um minuto, nem dava pra acompanhar o ritmo da conversa já que eu estava com os pensamentos longe.

- Justin! – vi uma mão passar na minha frente, despertei do transe.

- Que é porra? – perguntei tomando meu ice.

- Olha lá. Não lembra ninguém? – Chris disse apontando pra duas gostosas escoradas na grade olhando para baixo, elas estavam de costas.

- Não. – respondi e continuei olhando.

- Como não cara? Aqueles cabelos, aquelas pernas, aquela bunda, puta que pariu...

Olhei novamente.

- Caralho, a Mellanie? – perguntei sem acreditar.

Essa vagabunda não deveria estar em casa chorando rios e mares porque estou com o Jason? E eu pensando que ela iria sofrer com isso, que nada. Ela está aqui enchendo a cara e se exigindo, que vadia.

- Ela e a Lilly. – Ryan concluiu.

- Só pode ser um azar muito grande em encontrar essas duas aqui. – bufei tomando um gole.

- Ou uma coincidência muito grande. – Chaz falou.

- Coincidência é uma porra. É sacanagem, isso sim. – falei.

- Mas vamos ficar aqui de boa, elas não viram a gente. – Ryan disse.

- Se ver, foda-se também. – dei de ombros.

Foda-se mesmo. Eu não estava nem aí para a Mellanie, por mim ela faz o que quiser da vida dela, até que começou a tocar Sexy Bitch, repito, sacanagem de novo. E pra completar elas começaram a dançar, eu não conseguia desgrudar os olhos do corpo daquela vadia, ela dançava como dançou naquele dia pra mim.

- Ah vá tomar no cú. – murmurei e peguei um saquinho de cocaína no bolso e joguei em cima da mesa.

- Mais já Bieber? – Ryan perguntou.

- Fica na sua vacilão. – respondi e tirei uma cédula do bolso, fiz as carreirinhas e inalei todas.

Funguei e passei a mão no nariz. Elas continuavam dançando, minha atenção era tomada pela Mellanie, ela ria como se não estivesse nem aí pra vida. Como não? Eu estou com o Jason, quero a ver sofrendo porra. Porque ela ri? Quero que ela chore e sofra, pra descontar o que ela fez comigo. Pedi uma dose de Vodka pura, a tomei duma vez, desceu queimando tudo, apareceu umas vadias no inferno e ficaram rebolando na nossa frente semi nuas, eu aqui de boa tendo uma visão ótima da Mellanie requebrando e aparece um tribufu desse. A música terminou e vi Mellanie falar algo para a Lilly, não consegui ler seus lábios por causa da distância, logo ela saiu deixando Lilly lá ainda dançando.

- Sai do meio, porra. – disse emburrando uma vadia e me levantando.

- Vai pra onde cara? – Chaz perguntou.

- Vou me punhetar quer fazer isso pra mim?

- Wow, não ta mais aqui quem falou estressado. – Chaz disse e ignorei seu comentário.

Saí da área vip e consegui ver Mellanie andar no meio da multidão. Não sei por que estou fazendo isso, mas resolvi segui-la, a atormentar um pouco essa noite não vai fazer mal algum. Ela entrou no banheiro feminino, tinha uma vadia querendo entrar, a tirei do meio de fechei a porta do banheiro. Mellanie deve ter entrado em um dos box, me escorei no mármore daquela pia grande de costas para o espelho enorme também, ouvi a descarga e a porta ser aberta, ela levantou a visão e tomou um susto ao me ver, sorri sínico para ela esperando sua reação.

Mellanie’s POV

Acho que eu tomei água demais porque me deu uma vontade imensa de ir ao banheiro. Deixei Lilly dançando lá sozinha e fui ao banheiro, graças a Deus não estava agüentando mais. Abri a porta e dei de cara com o Justin, levei um susto da porra. O que ele está fazendo aqui? Preferi fingir que não tinha o visto e me direcionei até a porta, girei o trinco e aquela merda estava fechada.

- Não adianta, estou com a chave. – ele disse e balançou no ar.

- O que você quer? – perguntei o encarando.

Suas narinas estavam vermelhas, ele havia se drogado.

- Eu estava pensando que você estava em casa chorando, sofrendo porque eu estou com o Jason, mas não, vem aqui encher a cara e dançar como uma vadia.

Ele começou com as provocações.

- Quer que eu passe o resto dos dias chorando? Eu não vi encher a cara porra nenhuma, a única coisa que tomei foi água e não te interessa como eu danço, ah e quer saber não vou ficar dando satisfação da minha vida pra você. Me dá logo a merda da chave.

Disse estressada e ele riu sínico.

- Jason nem sente sua falta.

- Mentira. Claro que ele sente.

- Ele nem pergunta por você.

- Pergunta sim porra. Para com isso. – disse passando a mão nos cabelos.

Justin sabe fuder com um psicológico da pessoa.

- Ele já esqueceu até que você existe. Ele está bem melhor comigo, Mellanie.

- É mentira sua. Eu conheço o Jason.

- Pergunte aos moleques, eles estão lá perto onde você estava requebrando com a Lilly.

- Não vou perguntar nada, abre essa porta. Não quero mais olhar pra sua cara. – disse com raiva.

Justin é um filho da puta. O que custava ficar na dele nessa merda de boate? Ele tem que vir aqui encher meu saco e estragar minha noite.

- Estou apenas falando as verdades, Jason vai te esquecer. Ele só tem dois anos e vai aprender muito comigo. – ele sorriu sínico.

A minha raiva só aumentava.

- Cala a boca. – disse entre dentes.

Ia acertar um tapa no rosto dele, mais fui parada por batidas fortes na porta que estava trancada. Eu e Justin olhamos na mesma hora para lá, uma pessoa “normal” não causaria todo esse escândalo.

- Bieber, sabemos que você está ai junto com a vadia. – ouvimos os gritos, era Hugo.

Pelo o que eu sei Luc está trancado no porão do Justin. Não sei o que ele pretende fazer com ele, mas tudo bem. Só não o quero solto por aí.

- Abre logo essa merda e vamos conversar civilizadamente. – Hugo disse, sentia a ironia em sua voz.

- Puta merda. – Justin disse e passou as mãos na cintura. – Deixei a arma em cima da mesa, porra.

- E tu acha mesmo que eu trouxe uma? – perguntei já estressada.

- Cala a boca eu estou pensando. – ele disse passando a mão entre os cabelos.

Por isso que não gosto de sair sem uma arma.

- Enquanto você pensa ele está quase arrombando essa porra. – respondi.

- Vem logo. – ele pegou em minha mão puxando até o último box.

Fiquei sem entender nada. Ele subiu no vaso mesmo aberto, colocando os pés de um lado e no outro, e esticou a mão pra eu segurar.

- O que você vai fazer?

- Você pergunta demais porra, sobe logo.

Peguei na mão dele e coloquei o pé no vaso, esses saltos não ajudam muito. Tentei me equilibrar naquela merda sem encostar no Justin, estou com ódio dele ok? Mas com aquele salto fino não ajudava nada.

- Estou escorregando. – disse baixinho enquanto as pancadas na porta aumentavam.

- Segura caralho. – ele disse segurando forte em minha cintura, enquanto ele se apoiava na parede também. – Agora cala a boca e escuta.

Desviei minha atenção dos seus olhos, porque não estava gostando dessa aproximação.

- Estamos em desvantagem, eles provavelmente estão armados até os dentes e você tem que cooperar comigo. Use esse canivete que está preso na sua perna, eu me viro.

- Como sabe que estou com um canivete? – perguntei, na verdade eu estava.

Ele estava preso em minha coxa com uma liga.

- Isso não interessa. Se livra desses saltos, daqui a pouco vão arrombar essa porta.

- Isso não vai dar certo.

- Faz o que eu to mandando. – ele disse e o encarei.

Respirei fundo e assenti. Nossas vidas estavam em jogo agora. Me apoiei nele e tirei os saltos, segurei nas mãos e ouvimos a porta ser arrombada.

- Sei que vocês estão aqui. – Hugo dizia e podia ouvir passos se aproximar. – Apareçam seus covardes.

Podia ouvir as outras portas dos boxes serem abertas com brutalidade.

- Me solta. – Justin disse baixinho.

Me soltei dele e tentei me equilibrar ali em cima. Então nossa porta foi aberta e era Hugo, Justin acertou um chute em cheio no seu rosto que o fez cair batendo a cabeça na parede, desci do vaso e peguei a arma que Hugo tinha deixado cair. Justin acertava ele com toda a força, levantei a visão e dei de cara com três brutamontes. Fudeu. Eles também estavam armados.

- Não se aproximem. – disse os olhando e eles riram.

- Você está em desvantagem mocinha. – um deles disse.

Justin ficou do meu lado, dei uma leve olhada e vi Hugo inconsciente, que frangote.

- Atira. – Justin sussurrou e senti ele passar a mão na minha coxa pegando o canivete discretamente.

 - E você? – perguntei.

- Atira logo porra.

Atirei em um dos grandalhões em minha frente e logo o outro foi disparando. Vai ser ruim de mira assim na puta que pariu. Justin jogou o canivete, acertando o olho de um. Já estava um morto no chão do tiro que eu dei, Justin socou o outro cara, mais ele me acertou na barriga, coloquei a mão em cima e ela veio ensopada de sangue. Droga. Mesmo sentindo dor atirei logo no outro que Justin estava socando, em seguida larguei a arma me apoiando na pia.

Justin’s POV

Estava terminando de socar o cara, é muito filho da puta mesmo ter que atrapalhar minha noite. Vi ele cair morto no chão, Mellanie tinha o acertado, me virei e ela estava encostada na pia já pálida com a mão na barriga, ela estava sangrando.

- Droga. – murmurei.

Fui até ela e tirei sua mão do local que estava sangrando, tinha acertado em cheio. Estou começando a achar que essa vida não é pra ela. Mellanie sempre se fode, sempre é acertada, apesar da sua mira ser impecável.

- Consegue andar? – perguntei e ela assentiu com a cabeça. – Vamos sair daqui, se apoia em mim.

Coloquei seu braço por cima dos meus ombros e coloquei minha mão por cima do ferimento, ela gemeu de dor. Conseguimos sair do banheiro, e todos olhavam assustados, encontramos Ryan no meio do caminho.

- O que foi isso bro? – ele perguntou.

- Hugo. Preciso de um médico, agora. – falei.

- Chama a Lilly. – Mellanie disse, seu corpo começava a ficar mole, suas pernas não a agüentava mais. – Ela me leva pro Hospital. – ela disse antes de desmaiar.

- Que porra. – disse. – Vai logo Ryan, caralho. – disse estressado.

Peguei Mellanie nos braços e caminhei em direção a saída. Cheguei até meu carro e abri a porta de trás a colocando lá. Logo vi Ryan, Chaz, Chris e Lilly correndo em minha direção.

- Meu Deus, o que houve? – Lilly perguntou.

- Não vou explicar nada agora. – disse e tirei meu casaco de couro em seguida tirando a camisa que eu estava vestindo, a rasguei e amarrei na cintura da Mellanie, ela não podia perder muito sangue.

Ela não é muito sortuda, puta que pariu. O foda é que se acontecer algo de ruim com ela, vou me sentir culpado pelo resto da vida.


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Continua?
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domingo, 3 de novembro de 2013

Dangerous Life - Capítulo 34 - Yes, your daddy

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Graças ao Chaz e sua inteligência avançada conseguimos o endereço onde o infeliz do Luc estava. Meus homens já tinham ido à frente, agora eu ia junto com os garotos para lá. Eles não entendiam o que estava acontecendo, mesmo assim estavam comigo. Era um pouco longe, mas não para nossos carros. Chegamos ao local, e começamos a por o plano em ação. Era uma casa abandonada, onde supostamente Luc havia deixado alguém com o Jason, só espero que eu não tenha o azar de não encontrá-lo aqui. Descemos do carro e peguei minha arma prendendo na cintura, e outra na mão. Fiz sinal para os capangas cercarem a casa, e fui com os garotos até em frente a casa.

- No três. – disse baixo.

Contamos mentalmente e dei um chute na porta velha que foi a baixo. Logo demos de cara com os capangas do Luc, trocamos alguns disparos e logo os meus entraram na casa dando reforço.

- O Luc está aqui. – ouvi um deles falar.

- É agora que esse desgraçado me paga. – murmurei.

Era impossível identificar quem estava levando a maior ali, pois homens mortos já se aglomeravam no chão da pequena e imunda casa.

- Bieber, aqui tem um porão. – Ryan disse.

- Ok ok.

Desviei de alguns tiros e fui seguindo com o Ryan até o porão. Arrombamos a porta e encontramos Luc com uma arma apontada para a cabeça do Jason, havia uma mulher segurando ele. Meu coração apertou ao ver aquela cena. Na boca do Jason havia uma fita, ele chorava desesperadamente, quando me reconheceu estendeu os braços para mim, seus gritos eram abafados, o ódio tomava conta de mim. Algo aqui dentro doía mais que tudo, eu me sentia um lixo por ter deixado ele sofrer. Minha arma estava apontada para Luc, e a dele estava na cabeça do Jason. Ryan estava ao meu lado observando a situação, assustado assim como eu.

- Ora ora se não é Justin Bieber ! – Luc disse irônico.

- Te dou 5 segundos pra afastar a porra dessa arma da cabeça do Jason. – tentei manter a calma, qualquer movimento brusco iria tudo por água a baixo.

- Veio salvar seu filhinho? Que lindo. Isso é muito admirável da sua parte.

- EU VOU TE MATAR SEU DESGRAÇADO. – dei alguns passos para a frente, mais ele destravou sua arma, parei no mesmo instante.

- Não chega perto, se não eu estouro os miolos do bastardo.

- Bastardo é você seu filho da puta. Reza muito pra você se livrar dessa, porque se eu te pegar nem a tua alma escapa.

Minha respiração estava desacelerada, peito subia e descia. Eu respirava fundo, mas parecia tudo em vão. Eu explodiria de ódio a qualquer momento.

- Eu sempre me safo.

- Já ouviu falar que não existe esse pra sempre?

- Que filósofo você. – sorriu amargamente.

- Abaixa essa arma. – disse e ele riu. – ABAIXA A DROGA DESSA ARMA.

- Calma Justin... – Ryan disse.

Será que ele não entende que não dá pra manter a calma? É a vida do meu filho que está em jogo. Meu filho... Isso soa tão estranho.

- É Justin calma. Cadê a vadia? Queria tanto que ela viesse para vocês assistirem o grande final. – Luc disse.

- Só se for o seu final desgraçado.

Olhei para ele e depois para a sua mão. Era isso ou nada. Eu não posso falhar. Mirei em sua mão e respirei fundo, dando uma última olhada em Jason que não ficava um minuto quieto, chorando e gritando. Fechei os olhos com força e depois abri, apertando o gatilho, acertei em cheio na mão do Luc que estava segurando a arma que foi para o chão. Em instantes acertei em suas duas pernas o fazendo cair. Fui até ele e chutei seu rosto com força.

- FILHO DA PUTA, ISSO É PRA VOCÊ SABER QUE NINGUÉM BRINCA COMIGO. – chutei com mais força o fazendo cuspir sangue. – Rápido Ryan, chama alguém pra levar esse imbecil, dessa vez ele não vai escapar.

Ryan assentiu e me aproximei da vagabunda que segurava Jason.

- Eu não tive...

Mal deixei terminar de falar e dei um tiro em sua cabeça. Jason se desesperou ainda mais.

- Calma... Tá tudo bem agora. – murmurei e fui tirando a fita da sua boca mais devagar possível.

Seu grito fino e agudo ecoou pelo porão quando tirei a fita toda. O peguei nos braços e o abracei, Jason agarrou-se em meu pescoço amedrontado e não parava de chorar.

- Shii...Fica calmo cara, eu estou aqui. – afaguei seus cabelos.

- Me-meu pa-papai? – mal consegui entender entre soluços.

Mas foi o suficiente pra algo dentro de mim se acender, meu coração bateu mais rápido e uma alegria imensa surgiu dentro de mim. Olha que coisa gay.

- Sim, seu papai.

- Quelo minha mamãe, cadê ela? – ele chorou ainda mais.

- Não chora mais, vamos embora daqui pra ver sua mãe.

Ele assentiu com a cabeça e continuou agarrado em meu pescoço, só ouvia seus soluços. Logo entraram alguns capangas pegaram Luc e o levaram, Ryan, Chaz e Chris estavam lá fora me esperando. Jason não quis me soltar um minuto se quer, Ryan foi dirigindo meu carro, eu no banco do passageiro com o Jason que já havia parado de chorar. Ele permanecia quieto segurando meus dedos. Confesso que agora sim estava feliz, por ter conseguido pegar Jason e por ser pai dele. Caralho, eu sou pai. É tão difícil de acreditar. Por algum motivo estranho senti um aperto forte no peito, mas ignorei. Em uma Van a nossa frente ia meus capangas com o Luc. Não sou tão idiota de dar uma morte rápida para ele, depois que ele fez merece sofrer muito antes de morrer. Estava pensando no que faria com Mellanie que nem percebi que já estávamos chegando em casa. Ryan estacionou e saí com o Jason, atrás saiu Chris e Chaz do carro.

- Levem o infeliz para o porão e aprontem nossos brinquedinhos. – disse e eles assentiram.

Entrei em casa e subi as escapas. Jason não parava de perguntar pela mãe dele. Ele é muito apegado aquela cadela. Destranquei a porta e entrei, os lençóis da cama estavam revirados.

- Mellanie. – a chamei mais não obtive resposta.

Coloquei Jason em cima da cama.

- Fique aqui tá bom? – disse devagar para ele entender.

- E a mamãe?

Não respondi e entrei devagar no banheiro. O roupão estava no chão junto com algumas tabelas de comprimidos, eram muitos pra falar a verdade. Olhei para a banheira e me assustei ao ver Mellanie dentro, ela parecia...Morta !

- Mellanie ! – a chamei novamente mais ela nem se mexeu.

Puxei seu corpo para fora da água e a chamei novamente. Ela estava gélida e estava começando a ficar roxa, me desesperei. Maldita hora que a deixei sozinha.

- Me responde, por favor. Mellanie, não faz isso.

A dor no meu peito aumentava cada vez mais. Era como se fosse uma dor de perda, eu estaria mesmo perdendo ela? Chequei seu pulso e nada de batimentos cardíacos, aproximei meu ouvido de seu peito e não pulsava mais nada dentro dela. Foi quando não senti mais o chão sob meus pés. Ela estava partindo e a culpa era toda minha.

Mellanie’s POV

A dor já não me incomodava mais. Talvez ela tenha passado ou eu tenha exagerado na dosagem de remédios. Eu só queria descansar um pouco e esquecer a vida por alguns minutos se quer. Mas acho que me esqueci de como se vivia.

Eu estava correndo atrás do Jason em um lindo jardim. Nunca tinha visto igual na vida, com árvores enormes, as folhas caiam sem parar. O vento soprava as levando para longe, era realmente incrível. Jason não cansava de correr, ouvi chamar meu nome e parei de correr olhando para trás e para os lados. Mas não vi ninguém, alias aquele jardim estava vazia, só havia eu e... Só eu, pois Jason também havia sumido, me desesperei e comecei a correr novamente. Não o encontrei, chamaram meu nome novamente, mais uma vez não vi ninguém. Passei a mão entre os cabelos e girei sem sair do lugar. Chamei por Jason, mas ele não respondeu, onde ele foi parar? Senti uma dor forte no peito, como se fosse um empurrão, mas me recuperei e dei alguns passos. Senti novamente a dor, e alguns barulhos começaram a ecoar em minha cabeça, me mantive de pé.

- Mamãe, acorda. – ouvi a voz do Jason.

Mas eu não estava dormindo. Ele estava aqui correndo comigo. A dor surgiu novamente no meu peito, mas dessa foi mais intensa, eu não queria, mas era mais forte que eu. De repente, o lindo jardim sumiu e eu fiquei na escuridão, um barulho horrível surgiu fazendo minha cabeça doer, me ajoelhei no chão colocando as mãos nos ouvidos, tentando tampá-los.

- Mamãe, acorda... To com medo mamãe. Naum me decha. – ouvi Jason chorando.

- Justin, tira ele daqui. – alguém dizia.

- Naum, mamãeeeee.

- JASON ! – gritei abrindo os olhos.

Num ato desesperado comecei a correr sem direção. Foi quando a dor no peito apertou, foi mais forte do que as outras vezes, ouvi mais vozes e despenquei riacho a baixo.

Abri os olhos e a luminosidade quase cegou os meus olhos. Demorou um pouco pra me poder me acostumar, enquanto isso ouvia passos para lá e para cá. Que eu me lembre estava na banheira e agora me encontro em cima da cama. Como vim parar aqui? Minha cabeça doía, quer dizer, tudo doía. Pensei que aqueles malditos comprimidos tivessem dado jeito.

- Ela acordou! – alguém gritou o que fez doer ainda mais minha cabeça.

Olhei para o lado e só agora pude ver que estava no soro, como me furaram? Eu tenho pavor a agulha. Eu não estava no Hospital, estava na casa do Justin. Cadê o meu Jason? Mal pude raciocinar direito e entrou um senhor todo de branco e veio em minha direção para me examinar. O que está acontecendo? Eu estou bem.

- Graças a Deus que você acordou. Eu seria um homem morto se tivéssemos te perdido. – ele disse vendo meus batimentos cardíacos e mais essas bobagens.

- O quê? – minha voz quase não sai. – O que aconteceu? – forcei para que eu mesma ouvisse de tão baixa que estava.

- Você dormiu por dois dias jovem, depois de tentar suicídio se entupindo de remédios. – ele disse calmamente.

Ele falou suicídio? Arregalei os olhos o encarando.

- Eu não tentei suicídio.

- Então alguém obrigou você a tomar todos aqueles remédios? Quase a matou.

- Eu... Só queria aliviar a dor do meu corpo, só isso.

- Aí tomou tudo o que viu pela a frente? Não aliviaria sua dor assim. Por um milagre você não morreu o senhor Bieber a encontrou praticamente morta e se ele não fosse rápido hoje seu filho estava sem mãe.

- Cadê o Jason? – perguntei sem ligar muito para o que ele falou. Somente o meu filho me interessava.

- Deve estar com o senhor Bieber. Você precisa de repouso, e se alimentar muito pra repor tudo o que perdeu durante os dois dias dormindo, não pode se estressar e nem ficar andando pra lá e pra cá. Não pode levantar nenhum peso, não pode...

Enquanto ele falava aquela lista enorme de “Não pode”, a porta foi aberta.

- MAMÃAAAAAAE. – ouvi o grito do Jason que chegou a doer minha cabeça, não me importei.

Uma alegria enorme tomou conta de mim, tentei levantar mais o idiota do médico impediu. Virei meu rosto e Justin estava com ele nos braços, aproximaram-se da cama, meus olhos começaram a marejar ao vê-lo ali, bem e ao meu lado.

- Eu quero pegá-lo. – murmurei com a voz embaçada.

- Esqueceu que não pode levantar nenhum peso? – o idiota do médico disse.

 - Foda-se, eu vou pegar o meu filho e não é você que vai me impedir. – disse e quando dei por mim Jason já estava em cima de mim, me dando um abraço forte.

Ser mãe deixa a pessoa realmente frágil. Eu não consegui agüentar e desabei em lágrimas, era tão bom senti-lo. Meu pequeno Jason. Tive tanto medo de perdê-lo.

- Naum chola mamãe. Você dormiu muito. – ele disse com suas mãozinhas pequenas em meu rosto.

- Eu dormi? – perguntei com um sorriso em meio a lágrimas.

- Dormiu. Papai disse que você é dorminhoca.

Ouvi ele falar a palavra papai e encarei Justin. Foi só por breves segundos, eu não queria olhá-lo, ele é um monstro. E só de pensar no que ele me fez, meu corpo todo doía.

- Seu pai? – perguntei e Jason assentiu com a cabeça sorridente.

- Jason, você não quer me deixar um pouco sozinho com a sua mãe?

- Mas ela codô agola. – ele fez bico fofo, ri de leve e beijei seu bico.

- Ainda vamos ter muito tempo pra ficarmos juntos, meu amor.

- Jula?

- Juro. – ele me deu um beijinho na testa.

- Mãe mais linda do mundo. – ele disse me fazendo sorrir.

- Mentiroso. – disse e ele riu.

Justin o desceu, e o médico foi saindo com ele.

- Jason? – o chamei.

- Oi mamãe.

- Eu te amo.

- Eu também te amo mamãe. Amo o papai também.

- Vai lá garotão. – Justin disse sorrindo de lado.

Jason saiu dando tchauzinho com a mão e a porta foi fechada. Eu não conseguia olhar para Justin, confesso que pela primeira vez sentia medo dele, encarei minhas mãos respirando devagar, com medo até de soltar o ar preso em meus pulmões. Umedeci meus lábios que estavam ressecados.

- O que você fez? Queria se matar? – ele perguntou fazendo meu ser estremecer.

Que porra de medo é esse Mellanie?

- Eu só queria que a dor do meu corpo passasse e tomei alguns comprimidos. – murmurei.

Ele suspirou, sentia seu olhar sob mim. Eu continuava a olhar para minhas mãos.

- Você sabe tanto quanto eu que você mereceu aquilo Mellanie.

- Você quase me matou...

- Não, você quase se matou. Uma surra não mata ninguém.

- Não sei quem você associa esse “ninguém”, mas não me inclui nessa categoria. Você foi covarde batendo em mim do jeito que eu estava.

- Covarde foi você escondendo que Jason era meu filho esse tempo todo, conviveu comigo sob o mesmo teto durante meses e não abriu a boca. Isso foi o quê? Atitude corajosa? Não foi. Tudo por causa da porra do seu orgulho teve que acontecer o que aconteceu pra você poder falar. E se Luc não tivesse pegado Jason?

- Você não saberia... – disse baixo.

- Você acha isso justo? Queria ver se fosse você no meu lugar.

- Eu não queria meter Jason nessa vida. Eu queria uma vida normal para ele, longe disso tudo, longe dessa vida de merda.

- A partir do momento que ele começou a crescer dentro de você, a vida dele já estava traçada, ele faz parte desse mundo, como eu e você. Ele é meu sangue, e o único caminho a tomar é esse. Jason vai ser como eu, e isso você não pode interferir.

- Eu não quero isso para ele. Você como pai deveria entender que uma mãe sempre quer o melhor para seu filho, isso não é o melhor para Jason.

- O que seria melhor para ele? Mandá-lo para longe daqui, em outro país, longe de você de mim, vivendo com outras pessoas pra ser alguém normal? Pra onde Jason for todos iram saber de quem ele é filho. O perigo nos ronda, você deveria saber disso.

Talvez ele tenha razão, só talvez.

- Como vai ser daqui pra frente? – perguntei.

- Eu quero Jason ao meu lado, você querendo ou não.

- Eu não vou ficar longe do meu filho.

- Você vem ver ele de vez em quando.

- Você não pode fazer isso.

- Você não podia tantas coisas e fez. Porque eu não posso fazer?

- Justin! ... – murmurei o olhando pela primeira vez. – Você sabe que eu não conseguiria ficar longe do Jason, você não faria isso...

- Não duvide pra saber. – ele levantou-se. – Luc ainda está no porão, não quer ver ele sendo morto? Sugiro que se recupere logo.

- Justin, não tire Jason de mim.

- Eu não estou tirando, só estou cumprindo meus deveres de pai. Alias, Jeremy adorou a notícia de ser avô.

Ele saiu do quarto e comecei a chorar. Ele não podia fazer isso comigo. Não pode tirar meu Jason de mim. Eu sou mãe dele. Ele saiu de dentro de mim, eu tenho mais direito de ficar com ele. Limpei as lágrimas e arranquei a porcaria daqueles fios de mim, me ajeitei e senti o chão gélido tocar meus pés. Fui me levantando aos poucos e quase fui ao chão com uma tontura que me deu, realmente falta bastante vitamina no meu corpo. Fui até o banheiro devagar e me apoiando em tudo o que via pela a frente, fechei a porta e tirei aquela bata horrível que tinham colocado em mim. Me olhei no espelho e haviam alguns roxos pelo o meu corpo, toquei os machucados e não doía tanto assim. Olhei para a banheira e passei bem longe dela, liguei o chuveiro e meu corpo doeu quando a água começou a cair sobre mim, me apoiei na parede porque parecia que minhas pernas faltariam a qualquer hora. Terminei logo meu banho e coloquei um roupão que havia lá, saí do banheiro e dei alguns passos em direção a cama, não consegui chegar até lá, tudo ficou preto e não senti mais o chão debaixo dos meus pés.

Justin’s POV

Estava cansado de ouvir minha mãe reclamar e mandar eu dar um pé na bunda da Mellanie e jogá-la na rua. E ainda por cima ela duvidava que Jason não fosse meu filho, queria que eu fizesse exame de DNA. Francamente, minha mãe é demais. Deixei ela falando sozinha porque aquilo estava me dando uma dor de cabeça daquelas que dói só em ouvir alguém falar.

- Pattie, cala a boca. Não tá vendo que a cara de um é o focinho do outro? – meu pai dizia brincando com o Jason.

Agora tinha que concordar. Meu filho é bonito igual ao pai. Só que ele fez o favor de nascer com os olhos iguais da Mellanie. Parece ironia do destino, confesso que acho os olhos dela incrivelmente lindos, é semelhante com o azul do céu. Olha a merda que ando pensando. Levantei do sofá e caminhei até a cozinha chamando alguma das empregadas pra levar pra ajudar a Mellanie a tomar banho, não que eu seja tão ruim assim, vou deixar ela se recuperar logo. Subi e a empregada veio atrás, abri a porta e encontrei Mellanie no chão de roupão, ai meu Deus, será que ela não sabe ficar quieta sem fazer nenhuma merda? Corri até ela e tentei reanimá-la, a peguei nos braços a colocando em cima da cama.

- Trás álcool, rápido. – disse pra empregada.

Minutos depois ela chegou, coloquei no nariz da Mellanie que logo foi despertando. A empregada saiu pra ir buscar a comida da Mellanie.

- Quem mandou você levantar da cama? – perguntei. – Você está fraca demais.

- Eu só fui tomar banho.

- Da outra vez você ia tomar banho também e quase morreu.

Ela bufou e cruzou os braços.

- Ainda tem roupas suas, vou mandar buscar.

- Eu não quero. – ela disse. – Não quero nada.

- Veste se quiser. – dei de ombros.

A empregada chegou com uma bandeja, era alguma sopa com suco. Eca.

- Eu não vou comer essa porcaria.

- Foi o que o médico receitou.

- MAS EU NÃO VOU COMER ESSA MERDA. – ela gritou.

Se a empregada não tivesse tirado a bandeja a tempo, ela tinha a jogado longe.

- Ai ai... – Mellanie reclamou colocando as mãos na barriga.

- O que foi? – perguntei encarando sua feição de desespero.

- Eu... Não consigo... Respirar. – ela disse pausadamente.

Uma hora dessas o maldito do médico não aparece. Ela se desesperou.

- Calma, respira devagar.

Seu peito subia e descia rapidamente em tentavas da sua respiração voltar ao normal.

- Não...Consigo.

Senti ela apertar com força minha mão. Seu desespero era nítido. Foda que o que ela sentia, eu tinha que sentir em dobro. A coloquei sentada, e segurei em suas mãos a fazendo me olhar.

- Respira junto comigo. – disse. – Inspira e respira.

Ela ia fazendo o mesmo, quando ela ia respirar apertava forte minhas mãos e soltava devagar a medida que o ar ia circulando em seus pulmões, até sua respiração voltar ao normal.

- Tudo bem agora? – perguntei e ela assentiu com a cabeça soltando minhas mãos. – Não ouviu o médico? Não pode se estressar.

- Mas eu não vou comer essa porcaria aí. – ela disse calma.

Minha paciência com ela já estava acabando.

- VOCÊ VAI COMER ISSO AÍ SIM OK? NEM QUE SEJA A FORÇA. – disse segurando em seus braços e a olhando profundamente.

Ela não disse nada. Conseguia sentir sua respiração leve bater em meu rosto, olhei em seus olhos e esqueci tudo ao meu redor. Me aproximei mais de seu rosto e fechei meus olhos com força quando vi o que estava fazendo.

- Não me deixe chegar perto de você. – disse devagar me distanciando.

- Por quê? – ela perguntou. – Tem medo do que possa acontecer?

- Às vezes meus instintos masculinos falam mais alto.

- Não acredito nessa besteira de instintos masculinos, se a pessoa faz algo é porque sente alguma coisa. Você sente? – ela me perguntou.

- O quê? – perguntei desnorteado.

- Isso o que você ouviu. – ela disse.

- Você só fala besteira. – me levantei. – E trata de comer logo isso! 


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