Justin ficou me olhando com um ponto de interrogação na
cabeça, claro que eu estava bem, foi só um mal estar passageiro.
- Ninguém vomita de uma hora pra outra Mellanie. Você tá
bem mesmo? – ele insistiu.
Eu já estava com raiva dele, e ele enchendo meu saco só
piorava a situação.
- Já disse que estou, me deixa em paz, tá legal? – disse
sem olhá-lo e me levantei da cama rapidamente.
Saí do quarto batendo porta. Sem ninguém nos corredores,
desci as escadas rapidamente, ou tentei. São enormes. Cheguei até a cozinha, e
me deparei com Ryan tomando algo que parecia Vinho. Revirei os olhos e fui até
a geladeira pegando uma jarra de água.
- Mellanie, posso conversar com você? – Ryan perguntou.
Peguei um copo, despejei a água no mesmo e bebi tranquilamente.
- Não, não pode. – respondi colocando a jarra na
geladeira novamente.
- Caramba, você não entendeu nada. – ele disse um tanto
aborrecido.
- Eu não sou burra Ryan, eu entendi tudo. Não precisa me
explicar mais nada.
- Preciso sim! São só negócios Mel, quando tudo isso
acabar, vou voltar com a Lilly. É dela que eu gosto.
- Gosta dela? – perguntei com um sorriso irônico nos
lábios. – Fico admirada com essa forma de gostar. Aliás, ela te amava seu
idiota. Sentiu a diferença? O teu gostar foi tão fraco que se vendeu por um
plano suicida. Você sabe se o velho descobrir essa merda, vão caçá-los até no
inferno.
- Você sabe do jeito que eu sou. Sabia até do jeito que o
Justin era antes de vocês casarem. Nunca fui de uma mulher só, é tudo muito
estranho essa coisa de sentimentos, de gostar, amar... Me entende! – ele passou
a mão entre os cabelos e tomou todo o líquido que tinha no copo em uma golada
só. – E só pra constar, nós sabemos o que estamos fazendo.
- Não vou entender porra nenhuma Ryan. Você não só magoou
a Lilly, como a mim também. Ah, e não conte comigo para nada nesse plano
escroto.
- Mas o plano não é só meu! O Justin que começou... – ele
disse tentando dividir a culpa com o Justin.
- E você concordou. O que dá na mesma merda. Não adianta
se explicar, não adianta cara.
- Ok Mellanie. Não vou tentar mais me explicar pra você.
Pensei que você fosse minha amiga...
- Ryan, entre você e a Lilly, não pensaria nem duas
vezes, escolheria a Lilly. Porque você é da mesma laia que o Justin, os dois
não valem absolutamente nada. Maridos, namorados, ficantes, peguetes ou o que
for, vem e vão, tem muitos por aí. Mas amigas verdadeiras não se encontram em
qualquer esquina, são raras.
- A Lilly me ama, e com toda certeza, quando tudo isso
acabar, ela vai voltar pra mim Mellanie, disso você não pode ter nem dúvida. É
só eu querer...
- Só você querer? – dei risada. – E sabe o que eu quero? Eu
quero que você vá pra merda, vá pra casa do
caralho, vá a puta que te pariu, vá pra porra, vá pro quinto dos infernos e só
pra completar, vai se foder.
Disse e passei esbarrando em seu braço. Ouvi
ele me chamar, mas não dei importância e subi. Parei em frente ao quarto do
Jason e entrei, precisava ficar um pouco com meu baby, Jack tentava fazê-lo
dormir, enquanto o mesmo revirava na cama. Jason sempre malandro, dei uma
risadinha vendo aquela cena e a atenção dos dois foi voltada para mim.
- Pode ir descansar Jack, o resto é por
minha conta. – disse e ela sorriu agradecida, dei um beijinho em Jason e
retirou-se do quarto. – Vem cá meu amor. – o chamei enquanto me sentava na
enorme e confortável cadeira, que parecia mais um sofá, em formato de lua.
Jason levantou-se rapidinho e foi
escorregando na cama até chegar ao chão. Ele veio arrastando um ursinho pelo
chão até chegar a mim. O coloquei em meu colo e ele logo se aconchegou em meus
braços. Dei um beijinho em seus cabelos e peguei em sua mão brincando com seus
dedinhos.
- Porque o bebê da mamãe não quer dormir
em? – sussurrei.
- To sem sono mamãe.
- Ahm... Então me conta o que você fez
de bom hoje.
- Eu tudei.
- Tudei? – dei risada.
- É mãe, tudei com a fessora. – ele
tentou explicar. Ri novamente.
- Estudei com a professora. – o corrigi
ainda rindo.
- Mentila, foi só eu.
Gargalhei.
- Tudo bem, foi só você. E o resto?
- Blinquei, comi, e dormi muitão. – ele
disse brincando com seu ursinho de pelúcia.
- Por isso que o mocinho não está com
sono agora né?! – disse começando a fazer cócegas em sua barriga.
Ele só assentiu com a cabeça rindo.
- Conta histolinha mamãe.
- Mas eu não sei contar nenhuma. Pode
inventar? – perguntei e ele concordou. – Ok, vamos lá... Era uma vez dois
unicórnios...
- O que é isso?
Procurei algumas palavras certas para
tentar explicar isso pro Jason, mas com certeza ele não iria entender.
- Esquece, não eram unicórnios. Eram
veados.
Jason começou a rir.
- Viados... – ele repetiu. – Papai disse
que o tio Ryan é viado. O que é viado mamãe?
Dei risada.
- É veados, é um animalzinho meu amor. E
o seu tio Ryan é um viado mesmo. – disse e Jason riu divertido. – Continuando a
historinha...
Inventei uma história sem pé nem cabeça,
não tenho vocação pra isso. Mas no final deu certo, Jason acabou adormecendo em
meus braços. Encostei a cabeça fechando os olhos, e pensando um pouco sobre o
meu dia cansativo.
- Mellanie? Vai dormir aí mesmo? – ouvi
a voz de Justin ecoar.
Sem perceber, adormeci por algum tempo
com Jason em meus braços. Que agora Justin o pegava todo cuidadoso para pô-lo
em sua cama. Me espreguicei e levantei, Justin cobria o Jason, liguei os
abajures e desliguei as luzes, saí e Justin saiu em seguida fechando a porta.
Andei em direção ao meu quarto e logo Justin me alcançou, me parando no meio do
corredor.
- Já vai começar? – ele perguntou me
fitando sério.
- Começar o quê? – perguntei sem desdém.
- Não é possível que você vá me ignorar
até concluirmos o plano. – ele cruzou os braços, fazendo seus bíceps
aumentarem.
- Duvida? – perguntei o desafiando e
voltei a caminhar.
- Não me dê às costas enquanto eu
estiver falando! – ele disse rude puxando meu braço com força.
-
Aí Justin! – reclamei puxando meu braço, mas ele não soltou. – É assim que você
faz com a sua mulher grávida? – disse toda dramática e ele arregalou os olhos.
- O que disse? – ele perguntou soltando
meu braço, segurei a risada e caminhei rapidamente até a porta, o deixando
plantado lá, feito uma estátua.
- Otário. – murmurei rindo.
- Mellanie, me responde porra! – ele finalmente
saiu do estado de transe e começou a caminhar em minha direção.
Ri entrando no quarto, me joguei na cama
e me enrolei rapidamente. Ouvi a porta ser fechada e logo meu lençol ser
puxado.
- Por isso, o mal estar né? – ele perguntou
e gargalhei.
- Eu estava brincando. Eu vou dormir,
faz silêncio ok. – disse e puxei meu lençol de novo.
- Então porque vomitou? – ele perguntou
desconfiado.
- Devo ter tomado sorvete demais, agora
deixa de viagem, eu não estou grávida ok? Só estava tirando uma com a sua cara.
- Mellanie, se você estiver mentindo... –
ele me ameaçou.
- Não estou mentindo caralho! Não quero
um bebê agora, não ia vacilar desse jeito entendeu? – disse estressada, Justin
me olhou perplexo.
- Como pode dizer isso vadia? Se eu
quiser que você engravide, você vai engravidar e pronto. – ele alterou o tom de
voz.
- Ah claro, até porque eu tenho um tempo
enorme para cuidar de duas crianças. Se toca Justin. Eu tenho meus negócios para
cuidar.
- Que negócios o quê! Você é minha
mulher e mãe do meu filho, tem por obrigação cuidar dele e de quantos mais
vier. – ele disse autoritário.
- De quantos mais vier... – repeti rindo
irônica. – EU NÃO ESTOU GRÁVIDA, E NÃO VOU ENGRAVIDAR OK?
- Como é que é sua puta? – ele perguntou
tirando seu cinto inútil de couro.
- Puta é a sua mãe. – revidei. Nunca que
eu fico por baixo.
- Vem cá que agora vou te ensinar uns
bons modos, vai aprender a falar direitinho comigo. – ele disse perverso
dobrando o cinto.
- Você não é nem louco. Fica longe de
mim!
Justin segurou em meu pé e me puxou
rapidamente, me fazendo deslizar pelos lençóis de seda da cama. Dei um chute em
sua mão soltando meu pé, e em troca recebi uma cintada na coxa, que ardeu que
nem o inferno. Pensei em gritar, só pra amenizar a dor, mas não iria dar esse
gostinho ao Justin. Não mesmo. Sofro em silêncio, mas não dou nem um piu.
- Para com isso seu merda. Ficou louco
por acaso? – perguntei tentando sair da cama, mas ele puxava meus pés.
- Calada vagabunda. Você vai aprender a
me respeitar. Por bem ou por mal. – podia ver a raiva transbordando de seus
olhos.
Justin deu outra cintada, pegando na
minha outra coxa. Fechei os olhos com força, a coxa da cintada anterior já
estava vermelha, com um filete de sangue, havia ficado perfeitamente a marca do
cinto. Consegui chutar seu pulso e me levantei da cama, quem disse que eu vou
apanhar? Justin havia largado o cinto e estava massageando o pulso, parti pra
cima dele e acertei um tapa cheio em seu rosto, até a minha mão doeu. Mas
ignorei esse fato, e dei outro tapa, do outro lado do seu rosto. Sei que estava
em desvantagem, Justin é bem mais forte que eu, mas iria me defender até onde
desse ou pudesse. Ele me olhou com ódio, querendo realmente me matar, durante
essa brecha, consegui dar uma rasteira nele, só uma coisinha, eu bato que nem
homem. Justin gemeu de dor com o impacto da queda, chutei sua costela com
força, mas quase que quebrava o coitado do meu pé. Ele tentou se levantar, mas
coloquei meu pé em seu pescoço, o imobilizando.
- Se acha muito esperto né Justin? Você
se glorifica tanto, glorifica tanto seu sobrenome de merda, mas deixa eu te
avisar só uma coisa. Eu sou a Mellanie, têm que ter pacto com o capeta pra
bater de frente comigo. – disse o vendo ficar tão vermelho feito pimenta.
- Vo-Você vai pa-pagar caro po-por isso!
– Justin disse com dificuldade.
Tirei meu pé do seu pescoço e acertei
outro chute em sua costela. Rapidamente, Justin levantou-se, tentei dar outra
rasteira, mas o mesmo conseguiu se equilibrar. Sua mão foi diretamente em meu
pescoço, o apertou com força, fazendo meu ar sumir. Justin me jogou na parede,
fechei meu punho com força, e deixei que ele viesse para cima, soquei seu
abdome, com toda a força que me restava. Deveria ter comido alguma coisa, a
porcaria daquele mal estar levou embora toda a energia do meu corpo. Já me
sentia fraca, e eu iria apanhar feio. Justin pegou novamente em meu pescoço, me
imprensando na parede, dessa vez meus pés nem encostavam o chão, bati em seus
braços para que ele soltasse meu pescoço, atitude completamente inútil.
- A sua sorte, é que eu te amo sua
vadia. Porque se não, já estaria debaixo de sete palmos faz tempo. –
ele sussurrou com um certo desgosto em sua voz. – Mas te amar, não impede de
que eu te ensine como deve me tratar.
Meus olhos já estavam marejando, e a
falta de oxigênio em meu corpo já era presente. Justin afrouxou sua mão em meu pescoço, e com
a outra rasgou todo o meu baby doll, que era de um pano fino. Estava somente de
calcinha. Milhões de coisas passavam na minha cabeça, sobre o que ele faria
comigo.
- Agora me obedeça e deite-se naquela
cama de bruços. Ouviu? – ele sussurrou.
- O-o que você vai fazer Justin? –
perguntei com medo da resposta.
Recebi um tapa forte, fazendo meu rosto
virar. Segurei o choro.
- Eu mandei você falar? Mandei? – ele rosnou,
neguei com a cabeça. – Então faça o que eu realmente mandei sua cadela.
Justin me jogou com força , fui para na
cama. Ele foi até a porta, provavelmente indo trancá-la, me estiquei até o
criado mudo e procurei nas gavetas minha arma.
- Está procurando isso amor? – ele perguntou
me mostrando a mesma.
Fechei os olhos com força, sabendo que
realmente eu iria apanhar agora.
- Seu filho da puta! Porque está fazendo
isso comigo? – perguntei sentindo um nó se formar em minha garganta.
- Estou te domesticando amor, te
ensinando a me obedecer. Cansei de ser bonzinho com você, de ser seu capacho,
as coisas vão mudar a partir de agora. – ele disse diabólico , colocou a minha
arma em seu cós e pegou o cinto novamente. – Você acha que eu não sei o que
conversou com o Ryan? Disse que eu não presto, não é mesmo? Vou te mostrar que eu realmente não presto,
amor.
Vou apanhar por causa do Ryan,
desgraçado filho da puta. Ele vai ver só.
- Agora deita porra! – ele gritou
autoritário.
- N-não. – murmurei.
- Eu ouvi um não? – ele disse pegando
com força em meus cabelos. Prendi um grito. – Um não? – perguntou de novo
puxando ainda mais meus cabelos.
Justin me colocou na posição que ele
queria, de bruços. Peguei um travesseiro e coloquei em meu rosto, não queria
que ele visse qualquer emoção transparecendo.
- Você tem uma bunda deliciosa amor,
sabia disso? – ele disse passando o cinto em minhas nádegas. – Por isso vou
poupá-la, só por causa disso. Vou te deixar algumas marcas, marcas de amor
querida. – ele disse o mais irônico possível.
Naquela hora só sentia ódio do Justin.
Como ele consegue ser assim? Como? Maldição. Sou muito filha da puta mesmo, só
nasci pra sofrer. Sentia as duas cintadas em minhas coxas formigando, ardendo,
doendo. Senti Justin subir em cima de mim, e em seguida cintadas em minhas
costas. Era como se eu fosse uma escrava, amarrada em um toco, sendo
chicoteada, por algo que o patrão não gostou. Será que ele sabe o tempo de
escravidão já passou? Mordi o travesseiro sentindo meus olhos marejando. A cada
cintada ele falava que era meu dono, e que era pra eu obedecê-lo. Perdi as
contas de quantas cintadas eu levei, minhas costas já estavam completamente
dormentes, doloridas, ardendo, queimando...
- Paraaa! – pedi , já não agüentava mais.
- Você que manda querida, agora você
precisa de um banho. – ele disse levantando-se e me levantou pelos cabelos.
Escondi meus seios com as mãos, Justin
me arrastou para o banheiro. Tenho certeza que quando ele morrer, ele vai pro
inferno. Desgraçado. Com a água em contato com minhas costas, só iria arder
mais. Podia me matar logo. Justin ligou o chuveiro e me empurrou para debaixo
do mesmo, não consegui segurar o grito sentindo a água escorrendo em minhas
costas.
- Nãaoo! Chega Justin, por favor... –
supliquei tentando sair do banheiro.
Estava segurando o choro, mas não iria
adiantar por muito tempo. Estava doendo demais.
- Quem manda em você? – ele perguntou,
fiquei calada. – Responde!
- V-você. – murmurei.
- A quem você obedece?
- A você. – murmurei novamente.
Justin soltou meus cabelos. E saí
debaixo do chuveiro.
- Eu larguei mão da minha vida antiga
por causa de você, sua mal agradecida. Então faça o que eu mando, espero que
tenha aprendido, da próxima vez não serei bonzinho assim. – ele disse frio.
Me sentei no chão do banheiro e comecei
a chorar. Coloquei toda a dor pra fora.
- Esteja na cama em cinco minutos. – ele
disse por fim e saiu do banheiro.
Coloquei minhas mãos em meu rosto e
chorei, chorei, chorei muito. Não acredito que ele fez isso comigo. Tudo por
culpa do Ryan, que ódio que estou dos dois. Olhei para as minhas pernas, as
marcas estavam inchadas, imagino a desgraça que está nas minhas costas. Liguei
o chuveiro, já havia sofrido mesmo, mas um pouco não faria diferença, tirei a
calcinha me lavei rapidamente choramingando, peguei uma toalha e me sequei com
cuidado nas costas, dei uma olhada no espelho e estava uma desgraça mesmo. Me
enrolei e saí do banheiro, Justin não estava no quarto, suspirei, fui até o
closet, vesti uma calcinha, procurei uma pomada , por sorte encontrei uma,
espalhei em minhas costas e nas coxas. Vesti uma calça e blusa de moletom. Só
fiz pentear mesmo os cabelos rapidamente e fui pra cama, me deitei de lado, de
costas para a porta, não queria ver quando ele chegasse. Algumas lágrimas ainda
ousaram cair, mas as limpei quando ouvi a porta sendo aberta.
- Fico feliz que esteja me obedecendo. –
ouvi Justin dizer.
Justin arrastou a cadeira acolchoada
ficando de frente pra mim, em uma distância considerável. Ele estava com o litro de Sky nas mãos. Livrou-se
rapidamente de suas roupas ficando de boxe, sentou-se na cadeira esparramado e
pegou o litro tomando um bom gole.
- Espero que tenha uma ótima noite amor.
– ele sorriu perverso.
Uma lágrima dolorosa escorreu de meus
olhos, e os fechei com força. Só queria dormir e nada mais...
(...)
Acordei com o toque do meu celular.
Graças a Deus Justin não estava no quarto, ele havia dormido naquela cadeira
mesmo, menos mal. Me levantei devagar, caminhei até o espelho e levantei minha
blusa, visualizando minhas costas, agora sim, as cintadas estavam bem formadas
de tão inchadas. Suspirei e procurei meu celular, o peguei , era a Lilly,
retornei. No segundo toque ela atendeu.
- Bom dia flor do dia. Porque não me
atendeu? – ela perguntou, e pude imaginar sua cara de inconformada.
- Desculpa Lilly, não sabia onde o
celular estava. – murmurei.
- O que aconteceu Mel? Você está bem? –
ela perguntou preocupada.
Senti uma vontade enorme de chorar.
- Está tudo bem sim...
- Você não sabe mentir pra mim. Eu vou
ai...
- Não não, eu vou no seu apartamento.
- Tá bom. Chamo a Cait?
- Você que sabe. Alguma notícia da
Emilly?
- Sim, ela ligou cedo avisando que pegou
novas rotas de carregamento.
- Tudo bem, depois vemos isso.
- Ok. Pode ter certeza que dessa vez o
Justin me paga...
- Daqui a pouco chego aí, beijos.
- Fica bem amiga.
Desliguei o celular. Peguei minha arma
que estava em cima do criado mudo e verifiquei se estava carregada, e não. O
filho da puta tirou todas as balas, peguei um cartucho e coloquei. Arrumei logo
a minha bolsa e fui tomar um doloroso banho, procurei em umas gavetas no
banheiro onde guardava meus comprimidos, encontrei um pra desinflamar, o engoli
, escovei os dentes e fui até o closet. Vesti uma lingerie, e escolhi uma roupa. Uma calça jeans,
uma blusa de mangas grandes, um salto, amarrei meu cabelo, fiz uma maquiagem
pra esconder algum vestígio de choro da noite anterior e pronto. Borrifei um
pouco de perfume e peguei minha bolsa, saí do meu quarto e entrei no de Jason.
Ele estava acabando de acordar.
- Bom dia meu amor. – disse para ele,
que sorriu espreguiçando-se.
- Bom dia mamãe.
- Vamos tomar banho pra ir tomar café
com a mamãe?
- Siiim! – ele disse animado e ri fraco.
Coloquei minha bolsa em cima da cama, e
o despi. O fugitivo nu correu logo para o banheiro, o banhei no chuveiro mesmo,
se eu fosse esperar a banheira encher iria demorar muito. Segurei Jason
enquanto ele escovava os dentes, ele comia mais a pasta do que escovava.
Briguei algumas vezes com ele, enquanto ele ria. O enrolei em seu roupão do Batman,
escolhi uma roupinha e o vesti. Já pronto, descemos.
- Bom dia dona Mellanie. – Rose disse
assim que cheguei à cozinha. – E pequeno Jason.
- Dona não né Rose. – disse rindo fraco.
Me sentei à mesa, e coloquei Jason em
sua cadeira. Reparei que tinha muitos lugares postos na mesa, tem visita? Assim
que iria abrir a boca pra perguntar à Rose, ouvi vozes se aproximando.
Reconheci as vozes, só o que estava faltando mesmo, na cozinha apareceu Pattie,
Jazmyn e Jaxon. Tava demorando... Rose colocou meu café da manhã e o de Jason,
as três criaturas que estavam conversando animadamente ainda não haviam
reparado a minha presença.
- Deseja mais alguma coisa? – Rose perguntou.
Os três me olharam.
- Não Rose, obrigada. – respondi.
- Que surpresa boa. – Pattie disse. –
Bom dia Mellanie.
Sorri falsamente. Jazmyn deu a volta e
deu um beijo estalado na bochecha de Jason que riu.
- Que saudades que eu estava desse
gostoso. – Jazmyn disse. – Oi Mellanie.
- Iai Mellanie. – Jaxon disse por fim.
Os três sentaram.
Jazmyn fez questão de sentar perto do
Jason.
- Oi. – respondi sem animo.
- Quem morreu? Que tristeza. – Jazmyn perguntou.
Ia responder, mas surgiram Justin e Jeremy
na cozinha. Ah Jeremy...
- Que coisa boa! Família reunida
novamente. – Jeremy disse alegre. Só ele mesmo. – Saudades de você menina.
Levante pra dá um abraço no seu sogrão. – ele disse para mim.
Forcei um sorriso e levantei. Jeremy me
deu um abraço esmagador, e sem querer soltei um gemido de dor por conta da
desgraça que o filho dele encapetado fez em mim.
- O que foi? Apertei demais? – Jeremy
perguntou me olhando.
Justin me olhou rapidamente, pensando que
eu ia abrir a boca.
- Não. Está tudo bem. Saudades de você
também. – sorri forçado e sentei.
Jeremy me olhou estranho por alguns
segundos.
- Bom dia amor. – Justin disse e eu
quase vomitei, só não vomitei porque não tinha nada no meu estômago.
Ele debruçou-se e me deu um selinho. E
ele ainda age como se NADA tivesse acontecido. Eu te odeio Justin. Ele
sentou-se do meu lado radiante.
- Cara, como esse moleque cresceu! –
Jeremy disse babando Jason. – Será que ele ainda lembra do vovô aqui?
- Claro que lembra, deixa de ser
dramático pai! – Justin respondeu.
Jeremy pegou Jason nos braços, Jazmyn
que estava brincando com ele achou ruim.
- Oh pai! – ela reclamou.
- Diz pra ela que você é do vovô agora. Diz!
– Jeremy disse fazendo Jason de aviãozinho.
- Sou um vião mamãeee, olha! – Jason disse
em meio a gargalhadas. Todos riram, só abri um sorriso vendo meu pequeno.
Tomei meu café calada, Jazmyn fez
questão de ajuda Jason com o café. Jeremy às vezes se metia também. Todos
conversavam animadamente, parecia uma daquelas famílias felizes de comerciais. Estavam
ocupados demais para reparar que eu estava quieta demais na minha, mas Justin
mantinha o olhar sobre mim, para que eu andasse na linha.
- Podem ficar com o Jason? Preciso
resolver algumas coisas. – disse tomando a atenção de todos.
- Pode deixar. – Jeremy sorriu
bagunçando os cabelos do Jason. – Ainda trabalhando muito?
- Sim, até quando seu filho deixar. –
disse e olhei para Justin. – Até mais tarde.
Me levantei, todos ficaram em silêncio e
dei um beijo em Jason. Saí da cozinha e peguei minha bolsa. Peguei a chave do
meu Audi R8, fiz uma manobra na garagem e logo sai da mansão. Pisei fundo indo
a caminho do apartamento da Lilly.
(...)
- Pensei que não viria mais. – Lilly disse
abrindo a porta.
Entrei e encontrei Cait sentada no sofá
mexendo no celular.
- Pode ir logo nos contando o que
aconteceu.
Joguei minha bolsa no sofá, dei as costas
para duas e tirei a blusa.
- Meu Deus do céu Mellanie. O que foi
isso? – Lilly perguntou.
- Quem fez isso? – Cait perguntou.
Me virei e as duas estavam horrorizadas,
me sentei com a blusa nas mãos e olhei pro chão.
- Ele que fez isso... – murmurei com um
nó se formando em minha garganta.
- O Justin fez isso? – Lilly perguntou
sem acreditar.
- Sim, fez. – suspirei sentindo meus
olhos marejarem. – Tem duas cintadas nas minhas coxas também.
Comecei
a chorar. Senti as duas sentarem do meu lado e me abraçaram.
- Ai meu Deus Mel... – Cait só conseguiu
dizer isso.
- Estou me sentindo um lixo... –
choraminguei.
- Não se sinta, porque você não é! Para
com isso, por que aquele filho da puta fez isso? – Lilly perguntou com ódio.
- Por culpa do Ryan... Ele deve ter
colocado um monte de merda na cabeça do Justin, e só sobrou pra mim. – limpei as
lágrimas.
- Culpa do Ryan? – Lilly perguntou
curiosa.
Prometi que não iria contar isso para
ela. Mas a situação exige a verdade.
- Depois que saímos da sorveteria, fui
perguntar a ele porque ele tinha sido tão covarde com você, a ponto de te
trair. Então ele e o Justin me contaram toda a verdade.
- Que verdade? – Cait perguntou.
- A vadia que estava com o Ryan é filha
do atual presidente da máfia italiana, então o plano deles é, que enquanto Ryan
estiver com ela, vão passar a perna no velho. Eu fiquei indignada com isso. Ele
feriu os seus sentimentos por causa de dinheiro, de um plano idiota. Discuti
com os dois, acabei vomitando e mais tarde discuti com o Ryan de novo, e acabei
dizendo que ele o Justin não valem nada. E o que o filho da puta fez? Acabou
indo encher a cabeça do Justin e só sobrou pra mim... Justin veio com uma
historia de que eu tava grávida só porque vomitei, eu disse que não queria
engravidar, ele revoltou-se, e só somou as coisas. Essa é a verdade.
As duas ficaram caladas. Me olhando.
- Não posso acreditar no que ouvi. –
Cait disse.
- Então o Ryan fez isso tudo por causa
de dinheiro? – Lilly perguntou baixinho. – E você apanhou por causa dele? Ele não
sabe com quem se meteu.
- O que você vai fazer? – Cait perguntou.
- O Ryan vai se arrepender pelo o que
fez. Escrevam o que estou dizendo. – Lilly pegou seu celular e mandou algumas
mensagens.
- Lilly, não faça nada, por favor. O
Justin vai saber...
- QUE SE FODA O DESGRAÇADO DO JUSTIN! –
ela gritou levantando-se. – Olha o que ele fez com você amiga... – ela sussurrou
me olhando. – Quem ele pensa que é? Dono do mundo? Ele não é. – ela passou a
mão entre os cabelos.
- Eu sinto muito por isso... – murmurei.
- Eu que sinto muito, por você amar um
monstro Mellanie.
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Continua?
Obrigada por todos os comentários!
Amo vocês ♥


