Fiquei pelo
menos uns dez minutos debaixo do chuveiro. Eu sou uma safada, meu Deus. Que
vergonha ficar sonhando essas coisas. Me enrolei em um roupão, peguei uma
toalha e sequei meus cabelos enquanto eu me olhava no espelho do banheiro.
Penteei meus cabelos e saí do banheiro, fui até o closet, peguei uma calcinha e
a vesti. Me virei em frente ao espelho para ver como estava minhas costas,
aparentemente bem. As marcas estavam quase imperceptíveis. Coloquei o roupão
novamente, saí do closet e caminhei até janela, puxei uma cadeira que havia ali
e me sentei olhando pra fora, vendo o tempo passar e sentindo o frio da
madrugada. Fiquei encarando o nada, até sentir meus olhos pesarem.
Acordei com a
claridade batendo em meu rosto, me espreguicei, havia dormido sentada, que
ótimo. Me levantei ajeitando meu roupão, Justin ainda dormia. Fui escovar meus
dentes, depois vesti uma roupa, e coloquei um sneaker, que faz um tempão que
não uso. Enquanto dava um jeito no meu cabelo, um furacão entrou no quarto,
furacão Jason.
- Mamãaaae! –
ele chegou gritando.
- Bom dia meu
príncipe. Quem abriu a porta pra você? – perguntei enquanto o colocava em meu
colo e o beijava.
- Tia Jaz. –
ele disse.
- Você
acordou tão cedo hoje bebê. – penteei seus cabelos com a escova que estava
usando.
Penteei pro
lado, ele foi e desarrumou de novo. Ri dele e deixei como estava.
- Papai tá
dormindo? – ele perguntou e assenti. – Vou codá ele.
O coloquei no
chão e Jason escalou a cama. Poucos segundos ouvi Justin conversando com o
Jason. Terminei de me arrumar e fui atrás da minha bolsa, recarreguei minha
arma e pronto.
- Jason, já
tomou café? – o perguntei enquanto terminava de colocar meus brincos.
Justin me
olhou por alguns segundos e levantou-se, indo em direção ao banheiro.
- Não, quelo
comer. – ele estendeu os braços para que o pegasse.
- Você pesa
sabia? – o peguei nos braços e ele deu um sorrisinho.
- Mamãe
linda! – ele disse e beijou minha bochecha. Me derreti.
(...)
Cheguei ao
galpão às 8:46, porque fiquei esperando a professora do Jason chegar, conversei
com ela pra saber como ele estava. As garotas já estavam lá há um bom tempo,
estacionei meu carro e desci. Alguns seguranças me desejaram bom dia e entrei,
vi alguns caminhões sendo descarregados e capangas vistoriando tudo. Pelo
visto, as coisas andam normal por aqui. Fui direto para a minha sala, encontrei
com Cait e Lilly conversando.
- A Emily nos
trouxe novas rotas. – Lilly disse assim que entrei.
- Trouxe? Que
milagre foi esse que o Renan saiu do pé dela? – perguntei colocando minha bolsa
em cima da mesa.
- Ela foi
deixar no meu apartamento às 3:00 da manhã, tem noção? Quase que a surrei por
ter me acordado àquela hora. – Lilly disse bravinha.
- Caramba! –
disse. – Mas enfim, já repassou pra todo mundo?
- Estávamos
esperando você chegar. – Cait disse. – Aliás, você tem reunião hoje às 10:20 da
manhã com seus fornecedores do zona Sul.
- Fala sério.
– revirei os olhos. – O que eles querem?
- Não faço a
mínima idéia. – Cait respondeu. – Vou confirmar a sua presença my lady.
- Idiota. –
disse e ela deu risada.
- Aaaah você
não sabe da nova, conta pra ela Lilly. – Cait disse enquanto digitava no seu
Iphone capinha rosa feat strass.
- Me contem.
– disse curiosa ligando meu Mac.
- O Ryan foi
ao meu apartamento ontem. – ela disse com desgosto e dei risada.
- Mentira! O
que ele queria? – perguntei a olhando.
- Aquela
velha história “Não acredito que você fez isso comigo” e blá blá blá. Ele fez
coisa pior comigo e com você e mesmo assim não armei barraco. – Lilly disse.
- Nossa que
idiota. E o que você fez?
- Eu fechei a
porta na cara dele e fui teclar com a Cait. – ela deu de ombros e dei risada.
- Coisa bem
feita. – respondi. – Olhem só essas belezinhas que eu comprei, mandei
embainhá-las a ouro. – mostrei o Mac pra elas.
- Que humilde
você amiga. – Cait disse. – São lindas mesmo. De onde tirou essa idéia de
banhar a ouro uma arma?
- O Justin
tem uma, e sou apaixonada por ela. – respondi sorrindo. – Olha como ela é
linda. – mostrei uma foto no meu celular, tinha tirado há algum tempo.
- Tenho que
concordar que o idiota lá tem bom gosto. – Lilly disse. – Mas a sua é desse
jeito?
- Não, tem o
meu toque é claro. – disse me gabando.
- E as balas
vão ser de ouro também? – Cait fez a infeliz piada.
- Quer que eu
dê risada pra não perder a amizade? – perguntei e ela riu.
- Não. – ela
disse revirando os olhos.
- Ok, vamos
cuidar. – Lilly disse levantando-se. – Temos que repassar logo essas rotas.
- Bora! –
respondi e me levantei.
Saímos da
sala e caminhamos até onde os capangas estavam, em monte sem fazer nada.
- Acabou a
moleza. – disse chamando a atenção de todos, que pararam o que estavam fazendo
para me olhar. – Vocês que ainda estão descarregando, podem continuar. – disse
e assim fizeram.
- O que temos
pra hoje, chefe? – um deles perguntou.
- Primeiro
quero saber se já passaram pra recolher a grana nas esquinas onde tem aqueles
marginais.
- Sim
passamos. Aqui está. – ele vinha com uma maleta que obviamente tinha dinheiro
dentro.
- Entrega pra
Lilly. – disse e ele entregou.
- Quanto tem
aqui? – Lilly perguntou.
- Não contei
senhora.
- Da próxima
vez contem, não quero ter esse trabalho. – ela disse e ri, como ela é
preguiçosa.
- Novamente,
estamos aqui com novas rotas e vamos repassar pra vocês. É no mesmo esquema,
formem grupos com um cabeça e venham falar comigo, e os cabeças depois repassem para os demais. – disse e
eles assentiram com a cabeça. – Claro que nem todos vão agir na hora de pegar o
carregamento, mais da metade vai ficar na espreita caso algo dê errado, entendido?
- Sim
senhora. – eles responderam.
- Ótimo, dou
cinco minutos pra formar os grupos. – respondi e eles começaram a conversar
entre si.
- Cait, tem
mais cópias dessas rotas? – perguntei olhando os papéis que estavam com a
Lilly.
- Tem, vou
buscar. – ela foi para a sala e em instantes voltou com as cópias.
Tempo
encerrado, os cabeças dos grupos vieram falar comigo, expliquei pra eles como
seria, não tinha muito segredo, era só ir para o lugar que estava na rota, se
esconder e agir na hora exata. Em um carregamento, o máximo de homens que vão
no caminhão, são dois. E na escolta, três. Seria fácil pegar esse carregamento
de maconha. Aliás, esse filho da puta do Renan só vende maconha? Já basta o
carregamento que roubei dele, de péssima qualidade. Tudo repassado, eles
começaram a agir, os caminhões de Renan iriam passar nas rotas às 11:00 e dessa
vez era um pouco longe daqui, quase do outro lado da cidade, em estradas de
terra que eu nem sabia que existiam. Saíram cinco grupos de dez capangas, era o
bastante. E o resto continuou fazendo seus afazeres de sempre, vigiando o
galpão, arrumando e separando os quilos de maconha, ensacando cocaína e
cobrando quem me deve. Voltei com Lilly e Cait para nossa sala, elas começaram
a contar a grana enquanto eu vasculhava algumas coisas na internet, então
alguém bateu na porta.
- Entra! –
disse.
Um capanga
passou pela porta com uma caixa média nas mãos.
- Aqui suas
armas senhora. – ele disse.
- Ok, pode
sair. – disse e ele colocou a caixa em cima da minha mesa depois saiu.
Fui abrindo a
caixa, e retirei de lá minha maleta. Meus olhos brilharam quando vi aquela
belezura.
- Ah vadia
não acredito, Louis Vuitton? – Lilly perguntou olhando.
- Eu disse
que eram lindas. – disse abrindo e me deparando com minhas belezinhas. Quatro
armas banhadas a ouro com a marca Louis Vuitton estampada em cada uma delas.
- Caralho,
imagino a fortuna dessas armas. – Cait disse.
- Me
apaixonei. – disse pegando e verificando as armas.
- Tenho que
concordar que são fodas e que você é louca. – Lilly disse.
- Qual é
gente, não vêem como estou feliz? – disse sorrindo.
- Mellanie,
tu é uma vadia de luxo, isso sim. – Lilly disse e dei risada.
- Sempre. –
sorri. – Enquanto vocês contam isso aí, vou responder esses e-mails aqui.
- E-mails de
quem? – Cait perguntou.
- De pessoas
interessadas em fazer negócios, acredita que tem um do Brasil? – disse
impressionada.
- Do Brasil?
Caralho, longe em. – Lilly disse parando de contar o dinheiro e me olhando. –
Vai responder?
- Vou
investigá-lo, depois respondo.
- Muito bem,
nunca se sabe se é um traficante mesmo ou a polícia americana atrás de você. –
Cait disse.
- Até agora
sou uma cidadã como todas as outras perante a lei, eles não tem nenhuma prova
contra mim, mas sabem que existe muita gente nesse ramo das drogas. – disse.
- Disso eu
sei. Me admiro não terem descoberto o Justin. – Lilly disse.
- Já ouviu
falar em propina? Então... – respondi.
O que de fato
era verdade, até eu pago propina pra alguns policiais e homens do poder no
governo pra continuar com o meu trabalho. Eles não se metem comigo e nem eu com
eles, e a vida continua. Tem que ser esperta, se não, eles passam a perna em
você. Fiz o que tinha que fazer e vi que estava quase na hora da reunião que
seria em um condomínio fechado, onde um dos meus sócios mora. Deixei as meninas
cuidando de tudo e peguei a estrada, pra estrear, caso tenha algum imprevisto,
estava levando uma das minhas armas comigo. Dois carros me escoltavam, um na
frente e outro atrás. O na frente me incomodava um pouco, eu queria correr e
ele andava que nem uma lesma, esperei paciente até o local onde seria a
reunião. Me identifiquei para que pudesse entrar no condomínio, dois seguranças
foram comigo enquanto o resto ficava lá fora com os demais seguranças dos
outros sócios.
- Senhora,
estão lhe esperando. – uma secretária me avisou. – Pode me acompanhar? –
assenti com a cabeça.
A segui até a
sala de reuniões, entrei e todos já estavam em seus devidos lugares. Eram cinco
sócios com suas secretárias. Da porta até a minha cadeira, a atenção era
voltada somente para mim, o que me incomodou.
- Quero saber
o porquê dessa reunião. – disse me sentando.
- Então Sra.
Bieber... – um velho começou a falar. Sra Bieber? Oi? – Temos uma notícia nada
agradável.
- Sobre? –
perguntei.
- Olhe isso.
– ele me entregou um papel.
O peguei e
dei uma olhada enquanto ele começou a fazer um resumo do que estava escrito
ali.
- De acordo
com esse documento, você ou qualquer pessoa que esteja ligada com seus
negócios, não pode andar por essas ruas aí na Zona Leste, consta que esses
locais estão sobe o poder de Renan. Caso você não respeite esse acordo, bom ele
vai reagir com toda certeza.
- O quê? –
perguntei sem acreditar. – Você está me dizendo que Renan é quem manda na Zona
Leste de Los Angeles? – ri sem humor. – Ele comprou por acaso?
- É o que
consta nesse documento senhora. Recebemos esse outro, com sua assinatura
concordando com isso. Deve ser do seu conhecimento e de todos, que nós lucramos
mais na Zona Leste, e com esse acordo vamos ter uma queda nas vendas. – outro
sócio disse me mostrando outro documento.
Meu queixo
caiu quando vi minha assinatura. Como ele conseguiu? Não acredito nisso, como
você foi burra Mellanie. Você tinha que ler todas aquelas merdas que ele te
mandava assinar, como eu confiava no filho da puta só assinava e pronto. Agora
olha só no que deu, burra.
- Que filho
da puta! – bati com a mão na mesa. – Ele me enganou direitinho.
- Mas você
assinou mesmo esse acordo? – outro sócio perguntou.
- Assinei,
mas foi quando ele trabalhava comigo, não costumava ler o que ele mandava eu
assinar, e agora me aparece isso. – disse com raiva.
- E o que
vamos fazer agora? Acordos são acordos...
- Acordos são
acordos o caralho, não concordei com nada e vou fazer ele engolir essa merda
aqui. – me referi ao documento.
- O que você
pretende fazer?
- Eu vou
resolver isso ainda hoje. – disse.
- Você não
pode ultrapassar os limites exigidos no documento, se não...
- Como não
posso? Não vai ser um documento idiota que vai me impedir de fazer algo, além
dos mais não tenho medo do Renan...
- Você que
sabe... – o velhote disse.
- Sim eu sei,
era só isso mesmo? – perguntei me levantando.
- Sim era.
Mas vamos continuar com as vendas na Zona Leste?
- Óbvio. Me
informem se meus homens forem atacados pelos homens do Renan.
- Faremos
isso. – ele respondeu.
- Reunião
encerrada. – disse pegando o documento, o amassei e coloquei no meu short e saí
da sala bufando de raiva.
Como eu pude
confiar tão cegamente naquele verme? Sabe lá quantos acordos existem com minha
assinatura. O mais incrível é que desde sempre ele pensou em tudo, se um dia
ele pudesse estar no comando de algo, ele me atacaria dessa forma, proibindo
minhas vendas em pontos fortes de Los Angeles. Se nem a polícia americana me
impede, não será um merdinha que vai me impedir. Saí do condomínio e pisei
fundo no acelerador, iria agora mesmo para os meus pontos de vendas na Zona
Leste, quero ver quem vai me impedir de pisar por lá... Demorou um pouco para
chegar, comecei a andar devagar pelas ruas, queria ver mesmo se os capangas do
Renan estavam de vigia, me aproximei de alguns becos onde acontecem minhas
vendas, desci do carro armada, meus homens fizeram o mesmo.
Entramos no beco e
o que encontramos foram corpos baleados com um único tiro no meio da testa, fechei
os olhos com força, o filho da puta saiu apagando todos os traficantes que
trabalhavam pra mim aqui. Entrei no carro novamente e fomos para outros becos,
e cada um que eu entrava só tinha corpos e nada mais, nem as drogas, nem
dinheiro. Meu celular começou a tocar, no visor vi o nome da Lilly.
- Onde você
está? – ela perguntou rapidamente. – Não me diga que você está na Zona Leste.
- Estou, por
quê? – perguntei olhando pra um corpo à minha frente.
- Ouvi algo
parecido na linha em um dos celulares dos capangas do Renan, sobre você está na
área deles. Você é louca?
- Aqui não é
a área deles, quanto mais do Renan. O filho da puta apagou todos meus
traficantes daqui, acredita?
- Mellanie,
saí daí cara. Fiquei sabendo sobre o acordo, pra ele isso aí é dele. – Lilly
disse.
- Não sabia
da porcaria da existência desse acordo, eu não vou sair daqui, ele vai me pagar
por esses prejuízos e vou fazer ele engolir esse documento. – disse com raiva.
Andei mais um
pouco naquele beco e não tinha nada mesmo. Fui até o final, voltei enquanto
conversava com a Lilly no celular.
- Me diz pelo
menos com quantos homens você está aí. – ela disse, sentia sua preocupação só
na voz.
- Seis. –
respondi vendo eles na frente do beco olhando pros lados.
- QUER MORRER
PORRA? E se Renan aparece aí? Volta pra cá agora.
- Eu sei me
cuidar Lilly, e se ele aparecer eu quebro pelo menos a cara desse imbecil. Isso
é prejuízo pra nós sabia? Só o que roubaram aqui equivale a 20 mil dólares em
droga.
- A tua vida é
mais cara que isso, saia daí caramba, depois resolvemos isso. Renan já sabe que
você está aí, e com toda certeza vai querer te atacar sabendo que está em
desvantagem.
- Mas
Lilly...
- Me escuta
cara, juro que depois voltamos aí e quebramos a cara desse infeliz, mas se você
continuar aí quem vai se ferrar é você Mellanie.
- Tá bom, já
estou indo. – bufei.
- Vem e some
daí agora.
- Tchau. –
encerrei a chamada e guardei meu celular no bolso do jeans.
Olhei para
frente e tomei um breve susto vendo Renan caminhar em minha direção com um
sorriso satisfatório nos lábios. Olhei por cima de seus ombros e vi meus homens
rendidos pelos seus.
- Estou vendo
que você não é uma mulher de palavra, Mellanie. Não tínhamos um acordo? – ele
perguntou rindo feito um idiota.
- Acordo? Que
acordo seu imbecil?
- Aquele que
você assinou, não lembra? – ele perguntou mais sínico ainda. – Como você é
idiota, sempre foi. Se deixa levar por boas carinhas, não podemos ser assim.
- Eu não
assinei nada, nem concordei com nada então essa merda de acordo não existe.
Você acha mesmo que vou deixar esses pontos de lucro pra você? Se toca, em que
mundo você vive?
Estávamos em
uma distância considerável, de uns seis metros.
- Eu vivo no
meu mundo e você vai dançar conforme a minha música. – ele pegou sua arma e
apontou pra mim. – Que pena que não tem mais ninguém pra presenciar esse
momento histórico.
- Você é um
merda Renan, não tem um pingo de coragem de puxar esse gatilho. Mas eu tenho
coragem de puxar esse... – peguei minha arma na cintura e apontei para ele
rapidamente.
- Coragem e
vontade é o que não me falta. Mas não quero te matar agora Mellanie, quero que
você mesma veja seu mundinho desabando, aí sim, irei te matar. – ele disse no
seu sonho em um mundo imaginário do seu cérebro de titica de galinha.
Dei uma
gargalhada alta.
- Te admiro
por ser tão sonhador desse jeito. Auto estima é tudo na vida.
- Nunca é
demais né. Como sou um bom homem, te dou duas opções. Primeira... – ele
levantou um dedo. – Você cai fora daqui e nunca mais pisa aqui ou segunda... –
levantou outro dedo. – Aceite a primeira e problema resolvido.
Ri novamente.
- Jura que eu
vou deixar tudo isso aqui pra você. Jura mesmo? – disse em pura ironia. – Só se
eu morrer.
- Então vai
ser agora. – Renan disse e puxou o gatilho.
Graças ao meu
reflexo, me esquivei e a bala passou perto do meu braço. Corri até uma parede
que me protegesse e atirei em direção do Renan, ele não foi atingido, merda.
- Aceite
minhas opções, vai ser melhor pra você. Você está em minoria Mellanie, deixa de
ser burra. – ouvi Renan dizer.
Fechei os
olhos com força. Realmente eu estava em minoria, meus capangas estavam rendidos
e só um milagre pra me tirar dessa. Mas eu não posso fazer isso, não posso.
Pensa Mellanie, pensa.
- Tudo bem,
eu aceito. – respondi. – Abaixa a arma Renan.
- Apareça e
eu abaixo. – ele disse.
Saí devagar
de onde eu estava, caminhei em passos precisos.
- Coloca a
arma no chão. – ele disse.
- Me deixa ir
embora logo, já aceitei essa merda.
- Calma,
coloca logo isso no chão e não me estressa. – ele disse e revirei os olhos.
Me agachei um
pouco e coloquei minha arma no chão sem parar de olhar pra ele. Agora vai ser o
que Deus quiser...
- Está vendo,
como uma boa conversa sempre é ajuda? – ele disse ainda com a arma apontada
para mim.
- Porque não
baixa essa arma se só vamos conversar? – perguntei.
- Porque a
única conversa que vai ter aqui, é da minha arma no meio da sua testa, sua
piranha. – ele disse aproximando de mim.
Respirei
fundo umas dez vezes. Meu sangue ferveu nesse momento.
- Desgraçado!
– murmurei.
- Como?
Repete vadia, repete que eu quero gravar seus últimos momentos.
- VAI PRO
INFERNO! – gritei.
- Não era
exatamente o que eu queria ouvir, mas serviu. – ele riu e destravou a arma. – É
o seu fim!
Meu olhar
estava fixo em sua arma, não tem como errar se ele disparar, e não nasci com a
bunda virada pra lua pra ser tão sortuda a ponto de me esquivar de todas as
suas balas. Se eu me agachasse para pegar minha arma, no meio do caminho ele já
teria me baleado, então eu estava fodida mesmo.
- Não tenho
tanta certeza disso. – uma voz soou atrás de Renan e nunca agradeci tanto a
Deus por ter a ouvido.
Era Justin
com sua arma linda e maravilhosa banhada a ouro apontada para Renan, notei que
quem estavam rendidos dessa vez eram os capangas do Renan pelos os do Justin, e
por sua vez os capangas do Renan estavam levando um corretivo dos nossos
homens. Sem nem pensar duas vezes, me agachei pegando minha arma e disparei
rapidamente, a bala acertou a mão no Renan que largou a sua arma, soltei a
minha porque de nada ela iria mais servir. Renan estava com a mão
ensangüentada, ele agachou-se para pegar a arma com a outra mão, mas fui mais
rápida e pisei em cima da mesma impossibilitando isso. Segurei pelos seus
cabelos e dei uma joelhada em seu rosto, ele gemeu de dor.
- Repete quem
é a piranha agora, seu bosta! – o provoquei.
- Vagabunda
dos infernos. – ele ainda conseguiu dizer com seu nariz sangrando.
- Continua! –
ordenei e chutei suas costelas fazendo ele cair no chão.
- Deixe
comigo Mellanie, ele vai aprender a te respeitar. – ouvi Justin dizer
caminhando sem pressa alguma até nós.
Ele havia até
guardado sua arma, e começava a subir as mangas de sua blusa social, acho que
ele estava em alguma reunião. Me afastei vendo meu homem entrar em ação.
- Então quer
dizer que você queria dar um fim na minha mulher? – Justin o levantou pela gola
da blusa rindo sarcástico. – Como você sonha alto, Renan.
- Seu filho
da puta! – Renan resmungou.
Dois capangas
de Justin aproximaram e cada um segurou Renan por um braço, Justin fechou o
punho e acertou bem em cheio no rosto do Renan, sujando até sua mão de sangue,
em seguida foi uma seqüência sem fim de socos e chutes. Confesso que nunca vi
ninguém apanhar tanto na minha vida, não que eu seja tão ruim assim, mas ele
mereceu.
- Chega! –
disse depois de um tempo vendo Renan apanhar de Justin. – Ele não merece morrer
agora. – peguei o documento no qual estava o tão acordo, amassei ainda mais e
fiz Renan abrir a boca. – Engole essa porra aqui.
Soquei o papel
dentro da sua boca e fiz sinal para que os capangas de Justin o soltasse, ele
caiu no chão desacordado. Peguei minha arma no chão e guardei.
- Você está
bem? – Justin me perguntou me analisando de cima a baixo pra ver se não estava
faltando nada.
Assenti com a
cabeça e passei em sua frente. Cheguei até meus homens e nenhum estava ferido,
menos mal.
- Mandem
limpar os becos onde tem os corpos, amanhã tem que colocar gente nova
trabalhando aqui. – os avisei e eles assentiram. – Cadê meu carro? – perguntei
olhando pros lados, que eu lembre estacionei aqui perto.
- Um dos
capangas do Renan iria levá-lo pra desmontar e vender as peças, mas ele já foi
rastreado e provavelmente seu carro já está sendo levado para casa. Você vai
comigo. – Justin disse.
- Senhor... –
um cara ofereceu uma garrafa mineral ao Justin, de onde ele tirou isso?
Justin pegou
e lavou as mãos. Ah claro, ele encostou no Renan. Viado é fresco mesmo oh. Sem
dizer nada entrei logo no carro do Justin, ele falou mais algumas coisas com
seus homens e depois entrou no carro, no meu celular tinha inúmeras ligações da
Lilly não atendidas, resolvi ligar de volta para ela, para evitar que eu
falasse com o Justin. Expliquei tudo para ela, o que aconteceu, não em
detalhes, ela quase deu um troço e brigou horrores comigo, porque mandou ir
embora e eu fiquei fazendo hora lá. Justin dirigia feito uma lesma, dava até
pra contar as árvores, acho que alguém não quer chegar em casa hoje. Lilly teve
que desligar, ia resolver alguma coisa sobre carregamentos, dei tchau e fiquei
olhando pela janela do carro. Aos poucos vi o carro parando no acostamento, na
estrada no meio do nada.
- Vai
continuar assim até quando? – Justin me perguntou desligando o carro.
- Em casa
conversamos. – o respondi.
- Em casa
nada, vamos conversar agora! – ele disse.
- Mas eu não
quero. – disse e quando pensei em abrir a porta do carro pra sair, Justin
travou.
- Vai ser
agora Mellanie. – ele disse autoritário, me encolhi no banco e olhei pra
frente. – Você não acha que já está bom de me ignorar? Eu me arrependi do que
fiz, fui um idiota eu sei. Mas não agüento mais você me ignorando desse jeito.
Você é minha mulher caralho, e ficar nesse clima é chato demais.
- E você acha
que eu gosto de apanhar de você? – perguntei com raiva o olhando.
- Eu estava
com a cabeça quente, e você não deveria ter falado aquelas coisas para o Ryan.
- Eu não
disse nada demais, só disse o que você está acostumado a sempre ouvir de mim,
que você não presta e nem o Ryan, mas como sempre você não quis ficar por baixo
ainda mais na frente do seu amigo e fez o que fez comigo.
- Ok
Mellanie, eu sou um filho da puta mesmo, estou arrependido, você não vai me
perdoar? – ele disse me olhando fixamente.
- Eu te perdôo
Justin, como sempre. – respondi olhando pra frente.
- Não vai me
xingar e nem nada? – ele perguntou, o olhei e ele estava com as sobrancelhas
arqueadas.
- Não.
Podemos ir embora agora? – perguntei impaciente.
Ele suspirou
e ligou o carro. Se antes ele estava lerdo demais, Justin fez questão de pisar
fundo no acelerador. Ele nunca está satisfeito com nada, olha... Não estou mais
ignorando ele, deveria estar feliz. Chegamos em casa, Justin nem parou na
frente pra me descer, foi logo indo pra garagem guardar seu carro, desci e bati
a porta, em seguida Justin fez o mesmo, comecei a caminhar para fora dalí, mas
Justin segurou em meu braço impedindo.
- Não fique
assim comigo. – ele disse me olhando profundamente, sua mão do meu braço foi
deslizando até chegar a minha mão, onde ele segurou.
- Não estou “assim”
contigo.
- Então, me
beija. – Justin disse me puxando até chegar bem próximo dele.
Justin
colocou minhas mãos em seu peito e envolveu minha cintura com seus braços,
enquanto ainda me olhava, como faz pra não se render? Não posso negar que estou
morrendo de saudades dele, de seus beijos, abraços...
- Me
desculpa, eu te amo amor. – ele sussurrou.
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Continua?
Obrigada por todos os comentários!
Amo vocês ♥

